O Clube do Crime das Quintas-Feiras, de Richard Osman


O trajeto é bastante agradável. Faz sol, o céu está azul e o clima é de assassinato.

Gosto muito de livros de detetives, sejam eles amadores ou super renomados. Ainda não dei muitas chances ao Sherlock Holmes, por exemplo, mas gosto de Auguste Dupin — passamos um excelente tempo juntos quando a Novo Século me chamou para revisar o livro Auguste Dupin: O Primeiro Detetive —, e Agatha Christie está entre minhas coisas favoritas da vida. Então, quando possível gosto de ler sobre mistérios. 

Recentemente li Cordialmente Cruel, de Maureen Johnson (tradução Paula Di Carvalho). Havia comprado o ebook em uma baita promoção, e ele estava esperando por mim, e eu estava de ressaca literária, então achei que aquele era o momento certo. Em determinado momento descobri que o livro era de uma série de livros e que o mistério não seria resolvido ali. Confesso que me deixou um pouco frustrada, mas pretendo ler o próximo livro em breve (se chama A Escada Furtiva). Talvez, quando eu terminar a série, possa falar um pouco melhor sobre ela.

Em outra dessas promoções malucas de ebooks, comprei O Clube do Crime das Quintas-Feiras, de Richard Osman (tradução de Jaime Biaggio). Lembro quando o livro foi lançado no box da Intrínsecos, e me pareceu muito interessante. Então, logo depois de comprar o ebook, depois de ter terminado O Homem da Forca, de Shirley Jackson (falei sobre ele aqui), eu queria ler algo um pouco mais tranquilo e que descansasse minha cabeça.
 

Sobre o livro

Em O Clube do Crime das Quintas-Feiras, um grupo de idosos de uma casa de repouso se reúnem para ler sobre assassinatos misteriosos e sem resolução até que, um dia, um assassinato misterioso acontece bem pertinho deles. Elizabeth, Joyce, Ibrahim e Ron, todos com sede de se lançar na busca por esse assassino, começarão a procurar pistas e revirar documentos até encontrarem os culpados. Enquanto isso, e junto com eles, a polícia local, composta principalmente por Chris e Donna, também está determinada a descobrir o que houve. 

De cara, preciso dizer que gosto muito de como essa história é contada. Temos capítulos com narrador em terceira pessoa, narrando os acontecimentos de acordo com as visões dos próprios personagens que os capítulos acompanham. Ou seja, o que o narrador diz, é a partir da visão de determinado personagem, então tudo é exposto: a forma como eles pensam, o que eles fariam em determinadas situações, é como se o narrador narrasse a partir da mente daqueles personagens. Eu gosto disso, porque temos uma boa ideia de quem são esses personagens. Gosto desse tipo de narração. Temos também trechos de um diário que Joyce começou a escrever. Dá pra dizer que a Joyce meio que é uma protagonista, por ser a única que narra as coisas em primeira pessoa, mas todos os personagens que citei têm seus pontos de vista narrados, e isso é ótimo. Gosto de livros que não tem exatamente um único protagonista.

Depois de certa idade, você pode fazer basicamente o que quiser. Ninguém vai repreendê-lo, exceto os médicos e os filhos.

O mistério é gostoso de acompanhar. A quantidade de capítulos pode assustar um pouco, pra quem procura uma leitura rápida (são 115 no total), mas são capítulos curtos, outra coisa que gosto muito. Atualmente tenho lido antes de dormir, na maioria das vezes, então os capítulos curtos me possibilitam parar de forma rápida, caso eu queira. Tenho esse problema com as leituras, eu gosto muito de parar em marcas, e costumo parar de ler em trocas de capítulos. Então capítulos curtos, em dias que estou cansada, me permitem ler um ou dois e já encerrar a leitura naquele dia. A gente vai criando rituais nas coisas que gostamos de fazer, né? Esse é um dos meus: gosto de parar de ler nas marcas. Capítulos longos, ou livros que não marcam capítulos, acabam sendo lidos em finais de semana ou feriados. 

A história tem uma série de reviravoltas, sejam elas grandes ou pequenas. E são reviravoltas divertidas. Nada é o que parece de primeira, porque tudo pode mudar na página seguinte.


Alguns personagens podem deixar o leitor um pouco enfezado. Como a narrativa funciona do ponto de vista deles, algumas coisas enchem um pouco o saco. Há também uma crítica constante ao peso do policial chefe Chris Hudson, que me deixou bastante irritada. Se isso não afetar sua leitura, é um livro bem bacana. Se isso afetar, eu compreendo perfeitamente.

Acho que Elizabeth foi minha personagem favorita até certo ponto, mas perto do final algo nela me deixou um pouco... nervosa, acho que seria a palavra. O próximo livro do clube, O Homem Que Morreu Duas Vezes: O Novo Mistério do Clube do Crime das Quintas-Feiras, está em pré-venda, e pelo visto vai focar mais no passado de Elizabeth. Estou bem curiosa.

A primeira vez a gente sempre sabe qual é, certo? Mas a última, raramente.

O Clube do Crime das Quintas-Feiras é um livro divertido e ótimo pra passar o tempo. Tem assassinato, tem histórias de amor, tem um monte de velhinhos tentando gastar o tempo, e tem frases incríveis que fazem a gente parar pra pensar por alguns momentos. Se você gosta da Miss Marple e tem vontade de ver mais idosos solucionando crimes e sendo extremamente espertos, é uma excelente dica de livro. Fãs de Agatha Christie vão gostar bastante. 

Compre o livro

  • O Clube do Crime das Quintas-Feiras: Amazon

Lembrando que, comprando com meus links da Amazon, você dá aquela forcinha sem pagar nada a mais por isso :)
Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários educados são sempre bem recebidos!

Mas não aceito nem tolero ofensas, comentários impossíveis de compreender, spams e qualquer tipo de intolerância.

Os comentários são moderados, por isso aguarde a aprovação!

Instagram