Leituras de Fevereiro de 2021

Detalhe de Psyche Opening the Golden Box, John William Waterhouse


Esse mês tive poucas chances de escrever por aqui. Apesar das várias ideias do que compartilhar, não me senti com muita vontade de compartilhar nada. Fiz boas leituras, consumi algumas coisas que me trouxeram questões interessantes, que refleti e tenho refletido ainda, mas, no geral, não tive muito tempo ou aqueles arroubos de compartilhar com os outros. 
Fevereiro foi um mês bastante ensimesmado pra mim. Mas foi um bom mês, e me cerquei de coisas que me inspiram. É engraçado, eu nunca me considerei uma pessoa muito criativa, mas percebi que para minha escrita fluir (e, trabalhando com escrever todos os dias, a gente começa a arrumar mecanismos para que isso não seque), eu preciso me cercar de coisas que me inspirem e impulsionem minha criatividade. Como trabalho principalmente com o horror, ler livros teóricos e assistir documentários e entrevistas sobre as produções é um desses meios. 

Fiz um texto em janeiro de 2019 sobre livros mais teóricos sobre terror, e pretendo fazer outro agora em março, que seja mais abrangente com livros de não ficção, já que descobri tantos outros livros bons e importantes, até mesmo que estão disponíveis em português, e que servem para que a gente conheça mais sobre o gênero.

Mas, como fiz mês passado, retornei para contar minhas leituras do mês.

Lidos


The Outsiders  A Lista de Convidados  Death Disco vol. 2  A Vida Mentirosa dos Adultos  Separados  A Tempestade  

Comecei o mês lendo The Outsiders, de S.E. Hinton (tradução de Ana Guadalupe), e, mesmo agora, mais de 20 dias depois, ainda me pego pensando no livro e no filme de vez em quando. Ainda estou impactada com a história, com os personagens, com a escrita, com tudo. Inclusive, assistir o filme The Outsiders me fez ficar pensando no Rob Lowe por muito tempo e acho que isso é um comentário importante de ser deixado aqui. Até recomecei Parks and Recreation, o que me trouxe várias questões (como meus sentimentos felizes pela Leslie Knope e por Ben Wyatt). Mas enfim, sobre The Outsider, não tenho muito mais a dizer do que já disse, que esse livro alterou algo profundo dentro de mim e ainda vai levar meses para que eu tenha certeza de todas as mudanças que ele fez. Se você que está lendo tem mais interesse sobre meus muitos sentimentos sobre o livro, pode ler meu texto sobre ele aqui.


Em seguida li A Lista de Convidados, de Lucy Foley (tradução de Maria Carmelita Dias), que foi o livro enviado em fevereiro no Intrínsecos, o clube de assinaturas da Editora Intrínseca. Eu gosto de testar esses box. Contribui um tempo com textos para o clube Escotilha ns, fui uma assinante assídua do Clube Box, assinei a TAG por um mês e testei, por último, o Intrínsecos. Cada um deles tem suas particularidades, e acho o elemento surpresa muito legal. Tive que parar por alguns meses, mas quem sabe em um futuro retorno com alguma das assinaturas. Sobre o livro: eu passei muita raiva no começo dele. Achei os personagens rasos e estava começando a ficar cansada. Mas, em determinado momento, e como sou muito curiosa, fiquei com uma necessidade insana de descobrir o que estava acontecendo e li muitas páginas seguidas, até terminar o livro. Então, levando em consideração que é um thriller e não consegui parar de ler, digo que a experiência foi positiva.

Li também o segundo volume de Death Disco, de Atsushi Kaneko (trad. de Renata Garcia). Eu gosto muito de histórias absurdas, que não tem muito razão de ser. Você só abraça a esquisitice com a suspensão da descrença e segue. E Atsushi Kaneko fez isso muito bem na sua criação de história e de personagens, como a Deathko. Death Disco é sobre um grupo de assassinos, uma ordem, e esses assassinos recebem missões e ganham dinheiro por elas. É uma corrida maluca com assassinos de aluguel. Recebi este com a parceria com a DarkSide e espero muito os próximos volumes.


A Vida Mentirosa dos Adultos foi meu primeiro contato com Elena Ferrante (com trad. de Ann Goldstein), a autora italiana envolta em mistério. E foi uma ótima experiência. A escrita de Ferrante é realmente fluida e gostosa de ler, é interessante, mesmo com coisas que parecem simples. A forma como ela tece sua narrativa, com esses elementos mais comuns em um quadro mais amplo faz com que nos peguemos pensando em questões que, a primeira vista, não imaginaríamos ter. Em A Vida Mentirosa dos Adultos, uma jovem de classe média alta tem um interesse repentino em conhecer uma tia que seus pais cortaram relações. Digo repentino pela forma abrupta, mas seu interesse surgiu depois de ser comparada a essa tia. A partir desse ponto muito pequeno uma narrativa enorme se constrói, como se a gente puxasse um fio em uma camiseta e desfizesse toda a costura dela. Pretendo ler outras coisas da autora. Esse livro foi lido em conjunto, com o clube do livro Litterri@, formado principalmente por estudantes e comunidade da UFU, Universidade em que me formei. É uma ótima experiência rever alguns colegas queridos e comentar livros com eles.

Li outro quadrinho esse mês, Separados, de Scott Snyder (com trad. de Dandara Palankof), Scott Tuft e Attila Futaki. O quadrinho me surpreendeu bastante. Um jovem foge de casa para se encontrar com seu pai e realizar seu sonho, que é ser músico itinerante. Gostei muito do vilão, que é um tipo de devorador de sonhos. É um conceito que gosto muito, essa coisa de entidades e monstros que lidam com sonhos e pesadelos. Acho que é um tipo de criatura que pode criar histórias muito interessantes. Gostaria que esse vilão fosse mais explorado, mas claro, é um quadrinho não muito longo, então é compreensível. Mas gostei muito, fiquei bastante surpresa. 

E por último reli A Tempestade, de Shakespeare (com trad. Beatriz Viégas-Faria). Tinha lido A Tempestade no Ensino Médio, quando fazia teatro e tive um momento apaixonada por Shakespeare, mas não me lembrava de nada. E é impressionante como, depois de tantos anos, a gente passa a perceber algumas coisas, os contornos de Shakespeare em tantas narrativas modernas, coisas que obviamente foram influenciadas por ele, coisas que às vezes nem passam pela nossa cabeça. É impressionante perceber essa influência, que às vezes a gente até conhece, mas não percebe tão objetivamente.

Lendo

Eu ainda estou brigando com O Pintassilgo, e não fui muito adiante na leitura. O Pintassilgo exige um estado de espíritos que eu ainda não estou pronto, então dei um tempo para ele. É uma leitura lenta, como falei no texto de leituras do mês passado, e ele me pede que eu vá devagar. Mas não quero ir devagar, meu ritmo de leitura já está bem lento (e isso não é uma reclamação), então eu preciso de algo que me tire dessa lentidão, que me faça comer algumas páginas por dia — como foi com A Tempestade, com A Vida Mentirosa dos AdultosOutsiders e os quadrinhos. Então O Pintassilgo pode esperar um pouquinho. 


Nesse período em que estou afastada do livro de Donna Tartt, iniciei outras leituras que ainda estão comigo. Comecei Horror: A Literary History, um livro de não ficção, mais teórico, voltado para a literatura de horror, desde suas raízes com o gótico até tempos mais contemporâneos. E é excelente. Esse livro foi uma tábua de salvação em um momento que eu precisava desesperadamente de uma mãozinha pra me manter atenta. Como eu disse na introdução desse texto, a gente às vezes precisa de uma mãozinha para se manter criativo, para se questionar, para ampliar nosso conhecimento e continuar criando. Esse livro está fazendo exatamente isso, me apresentando hipóteses e questões que até então não tinha pensado. O livro é organizado por Xavier Reyes, e é dividido em sete capítulos, se não me engano. Não tem tradução para o português, infelizmente. Mas está disponível no kindle unlimited, ou pode ser comprado por menos de R$25,00. No final da postagem tem todos os links. :)

E comecei recentemente também Exorcismo, de Thomas B. Allen (com trad. de Eduardo Alves), um livro que tem me surpreendido muito. Comentei ontem no twitter como gosto de livros que são narrados assim, com esse afastamento, uma narrativa fluida, e que se permitem a explicar as coisas em detalhes. Allen faz exatamente isso com questões que eu não fazia ideia e são fundamentais para compreender o contexto da situação. O livro é uma não ficção de um exorcismo que ocorreu em 1949, e que foi a base para William Peter Blatty escrever O Exorcista. Blatty não teve acesso aos diários desse exorcismo, que é o relato mais importante (e um dos únicos) sobre exorcismos no período moderno, mas Allen teve e reconstruiu os fatos, e fez isso muito bem. Tem sido uma leitura muito interessante. 

Por último, e que comecei já faz algum tempinho, tem Os Planetas, da Dava Sobel (trad. de Carlos Afonso Malferrari), outro livro de não ficção, dessa vez sobre o sistema solar. Sobel utiliza aspectos culturais, como a música e as artes e a mitologia para falar um pouco sobre os planetas. Outra leitura que tem sido inspiradora, mesmo que eu não saiba lá muita coisa sobre o espaço. Sobel consegue inspirar e fazer você se interessar pelo que acontece fora da Terra. O livro é de 2006, e pode estar um pouco desatualizado com descobertas mais recentes, mas é um texto muito gosto de ler. Devo terminá-lo logo, mas vou sentir saudades.

Eu não monto uma lista de quais os livros lerei em seguida, porque minha leitura vai muito de vontades. Então não faço ideia do que vem a seguir. Quero ler alguns contos, e quero ler alguns dos livros que estão parados aqui e no meu kindle. 

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Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

Um comentário:

  1. Amiga do céu, tu leu muita coisa!
    Tem alguns aí que quero ler também. Fiquei com vontade de conhecer The Outsiders desde que a Tati escreveu sobre ele (livro e filme) lá no QC. Esse livro sobre horror!!!! quero!!!! O pintassilgo só me encara na estante, quem sabe um dia.

    Bjo!

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