Leituras de Janeiro de 2021

Harmen Steenwijck, Vanitas stilleven, 1640

Vou começar uma nova tradição aqui no blog: todos os meses, no último dia do mês, vou postar as leituras que fiz. Algumas pessoas já perguntaram se eu tinha skoob ou goodreads, e eu não tenho, não por enquanto. Mas eu queria encontrar uma forma de compartilhar os títulos lidos, já que nem sempre eu posto aqui ou no instagram. Então, acho que pode ser divertido.

Eu não sei se vocês perceberam também, mas a minha intenção com o Fright mudou um pouco. Eu quero continuar compartilhando meus sentimentos sobre o terror e etc, compartilhando minhas leituras, mas acho que um tom mais pessoal vai caber melhor aqui. O Fright é como se fosse minha casa. Ele é muito querido, e quero manter organizado mas, acima de tudo, quero manter confortável. Ele é meu hobby e um lugar onde quero compartilhar meus sentimentos sobre o que li, assisti e até sobre o que ouvi. Então, bom, eu já comecei esse movimento em algumas postagens atrás, e vamos continuar assim por esse ano.

Mas, aos finalmentes: não li muito esse mês, mas li algumas coisas bacanas, que estavam esperando para serem lidas e isso me deixou bastante contente.

Lidos

O Morro dos Ventos Uivantes  O Mágico de Oz  O Exorcista  Enterre Seus Mortos  Cordélia  A Cidade e A Cidade

Preciso dizer inclusive que peguei essa organização de lista lá do blog da Mia, Na Cabeceira, que ela fez na postagem de retrospectiva de leituras de 2020 e eu achei uma ótima organização.

Enfim, O Morro dos Ventos Uivantes foi uma releitura. Já havia lido ele antes e foi ótimo, mas reler ele logo nesse começo de 2021 foi especial. Foi minha primeira leitura do ano e foi uma excelente escolha. Eu fiz um texto sobre ele mais longo, que pode ser acessado aqui: Colossal, sombrio e severo: O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë. Li na edição lançada recentemente pela DarkSide, com tradução da Marcia Heloisa. 

O Mágico de Oz, de L. Frank Baum, foi a primeira vez que li e fiquei completamente fascinada. Eu assisti o filme de 1939 há muitos anos atrás (e ainda não revi, mas pretendo rever) e fiquei muito surpresa ao encontrar alguns tons utilizados pelo autor. É uma coisa um pouco macabra, um pouco inocente, em um equilíbrio perfeito. Eu adoraria ter lido esse livro na adolescência, mas fiquei muito feliz por ter finalmente o lido esse começo de ano. Totó é realmente uma estrela no livro. É um livro que eu, sem dúvida, leria para meus filhos ou sobrinhos (se eu chegar a ter algum). Também foi livro em uma edição lançada recentemente pela DarkSide Books, com tradução da Marcia Heloisa. Inclusive, as apresentações que a Marcia Heloisa fez de ambos os livros ficaram incríveis, com contextos e comentários pertinentes, dá outra cor à leitura.


Finalmente li O Exorcista, do William Peter Blatty (com tradução de Milton Persson), em uma edição antiguinha da Nova Fronteira. Foi uma leitura perturbadora, algumas vezes tive que dar uma respirada. A história de O Exorcista, em si, já é bastante complicada, né. É um pouco triste pensar em uma garotinha possuída pelo demônio, e mesmo que eu já tivesse visto o filme e soubesse exatamente dos acontecimentos, não sei, a leitura de algumas cenas foi difícil. Mas, inegavelmente, é um livraço. Li ele muito rápido, a linguagem do Blatty é bem fluida e isso me surpreendeu um pouco, eu imaginava algo mais rebuscado e foi até um dos motivos por ter segurado a leitura um tempão. 


Enterre Seus Mortos, da Ana Paula Maia, como sempre foi uma leitura maravilhosa. Eu gosto muito da narrativa da escritora, e gosto muito do personagem Edgar Wilson, que é incrível. A forma como ela coloca brutalidade e sensibilidade nas mesmas frases é muito bacana e é sempre uma leitura proveitosa. Eu já falei de outros livros da Ana Paula aqui, sobre A Saga dos Brutos, que são dois livros, e em um deles temos outra história do Edgar Wilson. Ainda pretendo ler outros livros dela. 

Cordélia é um quadrinho escrito pela Tali Grass, com ilustrações de Ana Mei. Foi publicado de forma independente e é um trabalho muito sensível. Trata do luto, da perda, tudo através de uma garotinha. Eu fiquei bem emocionada e fui falar com a Tali depois da leitura, me trouxe muitas coisas. É uma história triste, mas ao mesmo tempo muito bonita e a Tali, alinhada com a arte incrível de Ana Mei, fez um trabalho muito bom. Eu fiquei realmente feliz com a leitura, e fiquei ainda mais feliz pois conheço a Tali e acho ela ótima. É sempre bacana ver como estamos cercados de pessoas criativas e que tem um trabalho tão bom. O trabalho da Tali pode ser conferido clicando aqui, e o da Ana Mei clicando aqui.


Também li A Cidade e A Cidade. Escrito pelo China Miéville, com tradução do Fabio Fernandes, a história acompanha um detetive tentando investigar um assassinato. Mas a grande questão do livro é que a cidade de Beszel, onde o corpo foi encontrado, ocupa o mesmo espaço que sua cidade "irmã", Ul Qoma. As duas cidades estão no mesmo lugar, mas tem políticas e vivências distintas, as pessoas que estão em uma não podem simplesmente passar para a outra. No meio disso, há a Brecha, um tipo de organização, ou local, ou poder, ou governo, algo indefinido que toma conta das duas cidades para que as pessoas não cometam brecha, ou seja, não abram um ponto entre as duas cidades. No começo foi difícil entender bem o que estava acontecendo, mas conforme a leitura avançou eu fiquei muito intrigada com a situação toda. Fiquei pensando algumas horas sobre o que implicaria duas cidades em um mesmo lugar. E a escrita do Miéville é incrível. Eu só tinha lido um conto dele, Um Conto de Natal, mas ler A Cidade e A Cidade me deixou embasbacada. As soluções, as escolhas, é um trabalho excelente. Já se tornou um dos livros preferidos do ano. 

E o último livro completo que li foi uma cortesia, na verdade. Recebi o livro antecipado da Allana Dilene com a Ana Lúcia Merege, Jack London e a Criatura de Salmon Pond. O livro está em financiamento recorrente pelo catarse, e pode ser apoiado aqui. Eu acho muito divertido quando autores são usados como personagens por outros autores, e fiquei muito encantada com a escrita a quatro mãos que as autoras fizeram. A história acompanha Jack London em uma viagem até o povoado de Salmon Pond, um povoado mineiro, e lá acompanha uma série de violentos assassinatos. O livro tem uma série de elementos típicos de uma história do London: os lugares selvagens e com neve, a mineração e o contato com os animais. Eu gostei muito de um detalhe que fez toda a diferença, no final do livro, mas não vou entrar em spoilers. Se você já leu algo de Jack London ou se interessa por cenários frios e mistérios inacreditáveis, convido a conhecerem esse lançamento de Allana e Ana Lúcia.

Lendo

The Goldfinch, de Carel Fabritius, 1654. O quadro é um item importante no livro O Pintassilgo, de Donna Tartt

Nesses últimos dias estou lendo O Pintassilgo, da Donna Tartt, com tradução de Sara Grünhagen. Eu achava que estava travada no livro, mas percebi que é um livro que pede mesmo uma leitura mais devagar. Eu saí de leituras muito rápidas, muito objetivas, como Enterre Seus Mortos e A Cidade e A Cidade, então, esse livro que é mais subjetivo, mas descritivo, foi um choque de leituras. O que não é uma coisa ruim, na verdade é ótimo. O Pintassilgo tem me feito contemplar algumas coisas, refletir sobre outras, e ainda estou bem no começo do livro. Tenho lido só cerca de umas 10 páginas por dias. Os capítulos também são longos, o que é um desafio para mim que gosto de ler um capítulo completo por vez. Mas é um livro bem sensível, e eu estou gostando muito da leitura. Talvez eu pegue um livro de contos para ler junto dele, para os momentos que eu quiser ler alguma coisa mais rápida e não quiser continuar a leitura dele. Às vezes gosto muito de leituras mais rápidas — mas não no sentido de tempo, mais rápidas no sentido de serem mais ágeis, com mais acontecimentos. O Pintassilgo, até agora, é um excelente livro, mas ele é um livro mais calmo, mais devagar. Então devo ficar com ele algumas semanas ainda. 

Compre os livros

* Cordélia e Jack London e a Criatura de Salmon Pond estão indicados nos próximos textos.

Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

2 comentários:

  1. Adoro bloguinhos com uma pegada mais pessoal <3
    Gosto de ler resenhas no goodreads (lá as opiniões são bem mais diversas do que as do skoob, e ainda dá para filtrar por estrelas) mas eu só uso o skoob. Com a atualização do aplicativo ele ficou mais fácil de usar, e ainda tem as meias estrelas e trocas:D
    Esse A Cidade e A Cidade lembrou um pouco onde eu moro. A minha cidade fica no Paraná, e a nossa "cidade irmã" fica em Santa Catarina, e o centro das duas cidades só é dividido por um trilho de trem. Cada lugar tem suas próprias regras, e quem é de fora se confunde bastante quando vem pra cá haha

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    1. Dá uma liberdade escrever de forma mais pessoal, né? Eu gosto bastante, acho que tava precisando dessa mudança.

      E poxa, que demais esse negócio da sua cidade! Eu imagino a confusão mesmo, mesmo com a delimitação de um espaço físico e concreto, como a linha de trem, ainda é um acontecimento confuso, né? Que bacana! Obrigada por comentar, eu fiquei bem curiosa :D

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