A Menina do Outro Lado, de Nagabe


Houve uma época, há muitos anos atrás — pelo menos 10 anos, mais ou menos — que eu consumia muito anime e mangá. Gostava muito, e foi sobre isso os primeiros conteúdos que produzi. Hoje meus falecidos blogs estão muito bem enterrados, mas vez ou outra surge uma vontadezinha de rever alguma cena, ouvir alguma música, até assistir um ou outro anime ou ler algum mangá. 
Geralmente mato essa vontade lendo algum trecho de Uzumaki, do Junji Ito, ou assistindo algum anime que eu já conhecia (como tenho feito com Bungou Stray Dogs). E, recentemente, para minha alegria, recebi o novo volume de A Menina do Outro Lado, de Nagabe, publicado aqui no Brasil pela DarkSide Books, com tradução direta do japonês por Renata Garcia.



E eu já até fiz uma resenha sobre o primeiro volume, que pode ser lida aqui. Mas, hoje, depois de quatro volumes, e depois de ter lido os três primeiros, gostaria de falar mais um pouquinho sobre esse mangá. 

Sobre o mangá

O mangá começou a ser publicado ano passado e está em seu quarto volume. Acompanha a história de Shiva, uma garotinha que vive acompanhada de Sensei, uma criatura estranha, não-humana. Uma praga caiu sobre os humanos e, sempre que tocados pelos habitantes do mundo de fora (fazendo alusão aqueles que não vivem dentro das fronteiras dos humanos), eles acabam sendo contagiados por essa maldição, se tornando seres deformados e "distantes" da humanidade que conhecemos. Sensei tenta proteger Shiva a todo custo, tentando mantê-la segura da maldição e de tudo que possa querer machucá-la.

E, claro, ao longo dos volumes vamos descobrindo cada vez mais que tem algo de errado com toda essa história. Será que os habitantes de fora são mesmo os que estão amaldiçoados? Ou as pessoas do reino de dentro são as verdadeiras criaturas cruéis? Outras muitas perguntas ainda precisam de resposta: a forma dessa maldição, o que ela significa, qual o segredo de Shiva, entre tantas outras coisas.


Contraste é um dos pontos altos da narrativa de Nagabe, que utiliza luz e sombras de uma forma belíssima para contar essa história. Mas o contraste não está somente na sua arte: Nagabe narra desigualdades e preconceitos, um local assustador e pouco acolhedor, em que aquele que é tido como inimigo acaba sendo o único amigo de uma garotinha sozinha e abandonada. Em um reino dividido entre dois grupos contrastantes, que acreditam em coisas diferentes e são diferentes fisicamente, Shiva conta com a ajuda de Sensei para se manter viva e crescer. 

Nos dois últimos volumes descobrimos novas pistas sobre o que está havendo naquele lugar marcado pela maldição: o reino de dentro esconde segredos e conspirações que ainda não entendemos ao todos, mas há uma profecia e Shiva pode ser parte dela; sua tia retornou, e finalmente sabemos mais sobre as origens da garotinha; descobrimos também alguns elementos importantes sobre as transformações dos forasteiros. 


A Menina do Outro Lado é uma história que acontece de forma rápida e arrebatadora em sua edições. A arte de Nagabe é sempre impressionante. E, por mais que seja uma história triste, já que estamos falando de guerras e terrores de um local dividido pelo medo, sinto um carinho e um quentinho no coração sempre que leio um volume novo, ou releio os volumes antigos. 

Ainda não sabemos como a história de Shiva irá terminar, ainda temos alguns volumes pela frente. Mas estou gostando muito de acompanhar a viagem desses dois personagens tão incríveis.

Adaptação para OVA

OVA significa Original Video Animation e é uma animação de um ou mais episódios lançados diretamente para o mercado de vídeo. Em 2019 foi anunciado que o estúdio Wit Studio estaria desenvolvendo uma animação em curta-metragem para A Menina de Outro Lado

O OVA já foi lançado e pode ser visto em alguns sites por aí (nenhum oficial que eu tenha encontrado, infelizmente, porém não é difícil de ser encontrado em sites não-oficiais com seu nome original: Totsukuni no shoujo). O trailer pode ser visto abaixo:


Compre as edições



Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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