A Maldição do Espelho, Agatha Christie


Uma história engraçada que gosto de contar é que, quando eu era pequena e estava aprendendo a ler, minha mãe me ensinava algumas coisas com um livro da Agatha Christie. Óbvio que eu não entendia nada, e acabei destruindo seu exemplar de Os Crimes do ABC, desenhando em todas as páginas, mas o nome da autora ficou guardado com carinho na minha memória.

Depois disso, demorou muitos anos para que eu me tornasse leitora de ficção e romances. Eu lia revistas da WITCH, e um livro de histórias da Disney ilustrado, muito bonito, mas obras longas demorou uns anos. No fundamental, ganhamos um kit do governo, com alguns livrinhos, me lembro que entre eles tinha O Pequeno Príncipe, um livro de poesias, e alguns outros. No Ensino Médio é que recuperei a gana pela leitura, e lia durante as aulas, e frequentava a biblioteca da escola, e foi aí que comecei a colecionar livros.

Já na faculdade é que tive contato com Agatha Christie de novo, lendo Assassinato no Expresso do Oriente. Desde então, leio alguns livros dela por ano, sempre quando preciso de um lugar confortável ou quando a ressaca literária bate. A biografia de Agatha Christie escrita por Janet Morgan se tornou um dos meus livros preferidos, e acho a história de vida da autora fascinante. Mas, mesmo lendo vários livros da Christie, eu ainda não tinha feito nenhuma resenha dela por aqui. Mas gostei tanto de A Maldição do Espelho que quis falar um pouquinho sobre ele.

Sobre o livro

Lançado pela L&PM Pocket, com tradução de Petrucia Finlkler, A Maldição do Espelho acabou se tornando um dos meus livros preferidos da autora. Publicado em 1962, protagonizado por Miss Marple, um detalhe muito interessante de A Maldição do Espelho são as reflexões sobre envelhecer e sobre as mudanças que a idade traz com ela. 
Era preciso encarar os fatos: St. Mary Mead já não era mais o lugar de sempre. De certo modo, claro, nada era o que já fora um dia. Seria possível culpar a guerra (as duas) ou a nova geração, ou as mulheres que agora saíam para trabalhar, ou a bomba atômica, ou simplesmente o governo; mas tudo isso apenas atestava o simples fato de que a pessoa estava ficando velha.
Eu não era a maior fã de Miss Marple. Dos três detetives principais de Christie, meus preferidos eram o Tommy e a Tuppence Beresford, mesmo que eu só tenha lido um livro deles. Poirot, pra mim, é um grande chato de galochas, mas as histórias com ele me divertem imensamente. Então, Miss Marple ficava nesse limbo. Mas, depois de A Maldição do Espelho, acho que entendi melhor o conceito da velhinha.

Miss Marple conhece o mundo, e o mundo não pode mais surpreendê-la. Pode ser onde for, com quem for, Miss Marple vai associar a pessoa daquele momento com alguma que ela já conheceu, e ela vai compreender o que está acontecendo somente com essa comparação pois, como ela mesma afirma algumas vezes no romance, os tempos podem mudar, mas as pessoas e a humanidade continuam as mesmas.

Pode até ser uma visão antiquada de mundo, mas funciona muito bem no pequeno vilarejo de Miss Marple, em seu contexto de senhora atenta e desvendadora de casos. E quantas vezes nós mesmos não vimos situações se repetirem exaustivamente porque as pessoas são, realmente, muito parecidas? 


O livro conta a história de Marina Gregg, uma grande atriz de cinema que leva uma vida aparentemente perfeita e se muda para a mansão Gossington Hal, a mesma mansão em que acontece Morte na Biblioteca. Após a morte de seu marido, a senhora Bantry vendeu o local, passou nas mãos de alguns tipos, e acabou sendo comprada por Gregg e seu marido. Se o crime anterior não havia sido cometido no lugar, bem, o crime atual foi. Durante uma recepção beneficente, uma mulher que comparecia à cerimônia, Heather Badcock, morre quase nos braços de Marina Gregg. 

Então, Dermot Craddock conta com a ajuda da Senhora Dolly Bantry, que estava presente na recepção e tem detalhes do acontecimento, e de Miss Marple para solucionar o crime. 

Como em todos os livros de Agatha Christie que li, fiquei envolvida e fui apanhada de surpresa, pois algo me faz ir sempre pelos caminhos errados de investigação. Todos esses anos lendo romances investigativos e assistindo Scooby-Doo se provaram de nenhuma valia. Mas, como todos os romances de Christie que li até hoje, me mantive entretida e me diverti do começo ao fim, chegando a considerar com mais carinho Miss Marple. 

Foi uma leitura muito divertida e mal vejo a hora de me agarrar com outro romance de Christie e esquecer da vida. 

Lançamento DarkSide Books


Além dos livros mencionados, que recomendo de olhos fechados se você gosta de uma boa trama investigativa, há também um lançamento especial da DarkSide Books: O Dicionário Agatha Christie de Venenos. Escrito pela química Kathryn Harkup, o livro traz 14 dos venenos utilizados por Christie para assassinar as vítimas de seus livros.

Se você sempre se interessou em conhecer mais sobre os venenos mencionados por Christie, essa leitura é um prato cheio. 

Compre os livros:


Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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