Hora de Alimentar Serpentes, de Marina Colasanti



O tipo de literatura que Marina Colasanti escreve em Hora de Alimentar Serpentes não é uma que eu esteja acostumada a consumir (até agora). A prosa rápida, os minicontos, algo semelhante a versículos. Se você acompanha o blog, deve saber que estou acostumada com prosas mais longas, mesmo contos, talvez mais objetivos que apresentem um significado e uma resposta logo de cara. Então, quando surgiu essa oportunidade de ler a autora eu achei que seria interessante. Sem dúvida eu saí da minha zona de conforto e encontrei ali histórias curiosas. 

Quando a Michelle sugeriu uma leitura conjunta deste livro eu fiquei um pouco receosa, exatamente por não ser um tipo de leitura que estou acostumada a fazer. Mas, no final, nós duas chegamos mais ou menos na mesma conclusão: conhecer outros trabalhos é importante. Mesmo que não sejam a nossa praia, mesmo que não seja nosso tipo de literatura preferido. Marina Colasanti é uma autora ítalo-brasileira, prolífica, tendo publicado mais de setenta livros até hoje, além de ter participado do primeiro Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

Para ler o texto da Michelle é só entrar em seu blog: Michelle das 5 às 7, ou no link Hora de Alimentar Serpentes

Sobre o Livro

Hora de Alimentar Serpentes foi publicado pela Global Editora. Com uma mistura de poesia e prosa, em minicontos irônicos e através de metáforas e jogos divertidos e espertos de palavras, Marina Colasanti nos entrega histórias fantásticas com objetos rotineiros. Contando histórias com viradas estranhas, que não seguem pelo caminho que esperamos, e na maior parte com menos de dez linhas, Colasanti pega o comum e transforma, de forma ou de outra, em situações novas. 
"Tirar o Peso
Chegando à maturidade quis levar uma vida mais simples, tirar dos ombros o peso dos seus tantos desejos. Empenhou-se com afinco. Mas, passado algum tempo, os parcos resultados lhe disseram que seu novo desejo era, entre tantos, o mais difícil de atender."
Sendo eu, então, alguém que gosta de prosas mais longas, como contos, novelas ou romances, não é de se espantar que algumas das minhas histórias preferidas tenham sido as mais longas. Em "Alguém que Passa", um homem se encontra impedido de sair de casa pois acredita que pessoas têm usado roupas iguais as suas. Já em "O Último Objeto", um homem abre a porta para a Morte e acaba trapaceando para que ela não o leve na hora planejada. No conto "O Estojo de um Segredo", uma mulher em um hotel acaba encontrando, em um prédio próximo ao seu, uma mancha branca que se revela um cisne, mas com a cabeça de um ganso. "Pescando na Margem de um Rio" fala sobre um pescador perto da morte que, certo dia, acabou sendo pescado pela mesma. 


Pelas histórias mencionadas pode-se perceber que Colasanti flerta com o estranho e insólito por vários momentos. Situações com elementos fantásticos ou horríveis. Mesmo em seus minicontos existe algo de fascinante e alguns elementos especulativos. Em uma série de histórias intituladas "história de insônia", por exemplo, a autora conta variações da história dos carneirinhos sendo contados antes de dormir, ora acrescentando logos, ora trocando papéis entre os personagens.

Mas nem só disso são feitas suas histórias. São variados os estilos e elementos utilizados ao longo de Hora de Alimentar Serpentes. No final, todas as histórias tem várias facetas e interpretações. 
"Um Percurso
Nasceu morto, e morto viveu até os 70 anos, quando uma lápide de pedra com datas e palavras elogiosas foi fincada na terra, permitindo a todos esquecer o que sequer havia acontecido."
A leitura foi muito mais proveitosa do que imaginei que seria de início. Fiquei realmente feliz por ter saído um pouco do que estava acostumada a ler, e ainda assim manter um tema — o estranho, o excêntrico.

Marina Colasanti acumulou vários prêmios durante sua carreira, entre eles alguns Jabutis, alguns da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Foi meu primeiro contato com a autora, mas penso em ler alguma outra coisa dela, mais para frente. 

Hora de Alimentar Serpentes foi cedido para resenha pela Global Editora. :)

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Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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