A Menina do Capuz Vermelho e Outras Histórias de Dar Medo, de Angela Carter

A Menina do Capuz Vermelho e Outras Histórias de Dar Medo, de Angela Carter

Dias atrás Lady Sybylla, do blog Momentum Saga e uma enorme inspiração para esse próprio blog, comentou comigo sobre os livros da Angela Carter, e eu me lembrei que eu estava devendo essa leitura fazia uns anos. Angela Carter é um nome importante não somente no terror, mas também no feminismo e no estudo dos contos de fadas. Carter escreveu uma série de livros e contos em sua vida, escreveu roteiros para filmes e reuniu em volumes contos de fadas de uma variedade incrível, de vários lugares do mundo e que, até então, eu mesma nunca tinha ouvido falar.

Um dos roteiros escritos por Carter, que adapta uma de suas histórias, foi o de A Companhia dos Lobos, de 1984, dirigido por Neil Jordan. No filme, uma garota adormece enquanto lê uma revista e se vê transportada, através dos sonhos, para um cenário de contos de fadas: lobos, doces para vovózinha e florestas aterrorizantes a envolvem enquanto a garota procura encontrar formas de lidar com aquilo. O filme é bastante cultuado e tem diversos fãs no meio do horror.


Sobre o livro

Mas, para meu início lendo Angela Carter, que eu só conhecia através desse filme, escolhi A Menina do Capuz Vermelho e Outras Histórias de Dar Medo. Traduzido por Luciano Vieira Machado, lançado no Brasil pela Penguin - Companhia das Letras, o livro reúne contos de alguns lugares do mundo. Na sinopse cedida pela editora, que consta na Amazon, é dito que no início dos anos 1990, Carter compilou em dois volumes vários contos de fadas do mundo inteiro para a Editora Virago. Os contos que estão nessa edição são em menor número, mas foram retirados dessas edições.

A Introdução, escrita pela própria autora, já é um ponto alto na edição: a aula de Carter sobre a reunião dessas histórias, sobre como ela escolheu trabalhar e reuni-los nessas edições, é incrível de ser lido.

'Histórias de velhas comadres', isto é, histórias banais, mentiras, mexericos, um rótulo zombeteiro que atribui às mulheres a arte de contar histórias, ao mesmo tempo que nega qualquer valor a isso.

Durante a introdução, Carter menciona a importância dessas histórias e como elas formam um tipo de "coletivo" em diversas culturas ao redor do mundo. Não como forma de união, esperando que todas as pessoas de regiões distantes uma das outras, sintam as mesmas coisas. Mas como essas histórias carregam elementos semelhantes — como nos mostra Robert Darnton em O Grande Massacre dos Gatos, quando ele amplia a discussão e dá diversos exemplos de histórias com elementos parecidos.


Detalhe do trabalho de Carter é a curadoria de contos de fadas com protagonistas mulheres: que demonstra, sobretudo, que essas personagens não tinham um único papel nesse tipo de histórias. Não eram somente crianças prejudicadas por madrastas ou bruxas aterrorizantes. Ainda que alguns tipos de personagens fossem mais comuns em determinados lugares do que outros, há diversidade nos contos de fadas que, se ficarmos focados somente nas adaptações das histórias da Disney, podemos não compreender.

Estas histórias têm apenas uma coisa em comum: todas giram em torno de uma protagonista. Seja ela inteligente, corajosa, boa, estúpida, cruel, sinistra ou tremendamente infeliz, ela está sempre no centro do palco, tão vasta quanto a vida.

Outro ponto que faz essa edição ser interessante são as fontes reunidas no final: de onde são essas histórias, de quais livros foram retiradas e quem são seus autores. É até uma forma de conhecermos mais sobre essas culturas, quem recolheu esses contos.

Entre contos inuítes, americanos, afro-americanos, russos, ingleses e armênios, Carter nos mostra um panorama interessante sobre alguns contos de fadas que, talvez como eu, você não conheça. Se você se interessa por esse tipo de histórias, é uma recomendação válida e importante: um livro curto, rápido, com uma diversidade interessante e uma linguagem acessível. Estou interessada em ler outras obras da autora e descobrir mais sobre ela.

Compre o livro

  • A Menina do Capuz Vermelho: Kindle



Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

Um comentário:

  1. Ahhh, olha o meu nomezinho ali em cima!

    Eu gostaria muito que os romances da Angela saíssem aqui no Brasil. Se fosse pela DarkSide, melhor ainda! A escrita dela é poderosa e estou curtindo muito essa coletânea.

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