Retrospectiva: livros lidos no primeiro semestre de 2020


Resolvi fazer esse texto para compartilhar algumas das leituras que fiz nesse primeiro semestre de 2020, que parece mais 5 anos do que seis meses, mas ao mesmo tempo parece 2 meses em vez de seis. Retirar a gente da rotina e fazer com que a gente se reacostume com o tempo é algo difícil de acompanhar mesmo. 
Além dos textos que escrevi nesse período, muitos dos livros que leio acabo deixando sem escrever nada por aqui, as vezes comento só no Instagram (me segue lá: @capirojesca), as vezes no twitter (também é @capirojesca). Então, aproveitando que acabamos esse primeiro semestre de 2020, reuni algumas leituras que fiz e que me agradaram muito. Não serão textos longos ou complexos. E, para as outras resenhas, é só dar uma olhadela pelo site. 

A Letra Escarlate 


Escrito por Nathaniel Hawthorne, li A Letra Escarlate em março e fiquei obcecada. Achei uma história incrível, como não tinha lido ainda? Quero muito pegar outras coisas do Hawthorne para ler. Gosto da forma como ele escreve, como ele narra, gostei da temática se soube que ele tem mais algumas histórias que flertam com o horror e com o fantasma. No livro, uma jovem é acusada de adultério e sentenciada a vagar pela cidadezinha onde vive com uma grande letra A, em vermelho, em suas vestes. Conforme a história se desenvolve, entramos mais na cabeça e na sensibilidade de Hester Prynne. Por que ela não conta quem é o pai de sua filha? A história avança e mais destinos não interligados ao de Prynne e sua tragédia. Li com a tradução de Guilherme da Silva Braga. Sem dúvida foi uma das melhores leituras que fiz no ano. 

O Homem Invisível 


Também li O Homem Invisível em março. Inspirada pelo filme que tinha saído naquela época, e por um outro texto que tinha que escrever, resolvi ler a obra de H.G. Wells. Eu não esperava, mas foi um livro divertidíssimo. Um dia, como qualquer outro, chega um estranho forasteiro na cidadezinha de Iping, coberto de bandagens, sem mostrar o rosto ou qualquer parte do corpo. Todos ficam curiosos, mas não conseguem extrair qualquer informação do homem misterioso. Passam-se dias, e o homem, chamado Griffin, começa a despertar ainda mais a curiosidade quando realiza experiências na estalagem onde está hospedado, quebra coisa, faz um imenso barulho. Logo, os cidadãos começam a não ver com bons olhos sua estadia. Enfim, descobrimos quem é Griffin e o que ele quer no local: paz para trabalhar em uma fórmula que o deixe visível novamente. Foi uma leitura rápida e Griffin é um excelente vilão, com momentos cruéis e terríveis, daqueles que odiamos facilmente. 

Anno Drácula


Uma das minhas grandes descobertas do ano, foi Anno Drácula, lido em abril. Escrito por Kim Newman com tradução de Susana Alexandria, o livro conta uma história alternativa do Conde: o que aconteceria se Drácula não tivesse sido morto, e tivesse se casado com a Rainha Vitória? Além de criar essa história paralela, Newman ainda é habilidoso a acrescentar personagens que estavam em alto no período, fazendo menção a Sherlock Holmes e companhia, como também insere personagens seus, originais, e muito carismáticos. O livro faz parte de uma série de livros e quadrinhos, mas infelizmente só o primeiro foi publicado aqui. Se você lê em inglês, entretanto, pode encontrar os outros para ler e se divertir muito com o Drácula zanzando para lá e para cá no século XX.

A Quinta Estação


Escrito por N.K. Jemisin, primeiro livro da Trilogia da Terra Partida, com tradução de Aline Storto Pereira, A Quinta Estação conta a história de um mundo em plena destruição e reconstrução. Várias e várias vezes o mundo já foi destruído, e todas as vezes ele continua existindo, mas os humanos que vivem nele não tem tanta sorte. Apesar de aprenderem a lidar com as modificações que o mundo passa quando se destrói, muitas pessoas morrem nesses períodos de fim do mundo. Uma dessas pessoas é Essun. Mas pior que um mundo ser destruído é seu mundo ser morto na sua frente. Ao chegar em casa certo dia, Essun descobre que seu filho foi morto pelo próprio pai. Enquanto tudo se transforma a sua volta, Essun quer vingança. A Quinta Estação foi um livro poderosíssimo e mal posso esperar para ler os outros livros da trilogia. Forte e importante, a escrita de Jemisin é, acima de tudo, emocionante. Acompanhar os desdobramentos da busca de Essun e os acontecimentos do livro é uma montanha-russa. 
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Sobre os Ossos dos Mortos 


Com tradução de Olga Bagińska-Shinzato, li esse livro em junho e foi bastante diferente do que eu estava consumindo naquele momento. Sobre os Ossos dos Mortos não é um livro de terror, mas tem situações aterrorizantes e uma dose de suspense que te mantém grudado, apesar de não ser esse o foco. O foco é a protagonista, Janina Dusheiko, uma senhora que vive sozinha e que preza muito pela vida dos animais. Assassinatos começam a ocorrer no local onde ela mora, e o livro acompanha a resolução desse mistério. É impressionante acompanhar os pensamentos da Sra. Dusheiko, a forma como o livro flerta com o sobrenatural. Olga Tokarczuk venceu o prêmio nobel de literatura, e a discussão de Sobre os Ossos dos Mortos é extremamente relevante e interessante. 

Ghost Summer 


Tananarive Due é uma das minhas escritoras preferidas, isso já quando eu tinha lido só um conto dela. Quando li esse livro de contos, em junho, foi uma constatação. Não há um único conto no livro que não seja aterrorizante ou emocionante, eu quase chorei e/ou me escondi embaixo das cobertas várias vezes. Foi uma das melhores coisas que li em anos (apesar da lista inteira ser de livros incríveis que li). A infelicidade é que Tananarive Due não tem um único livro publicado em português até hoje, mas deveria. Sua narrativa é incrível, parece uma poesia, é ritmada, é delicada, e é assombrosa e macabra na mesma medida. Uma excelente escritora, um excelente livro. Quero ler outras coisas dela ainda esse ano. Em Ghost Summer você pode encontrar de tudo: assombrações, lendas antigas, apocalipse, todos os tipos de terror em um único livro de contos e que não perde em qualidade em nenhum deles.

Desmemória


Um dos últimos livros que li, Desmemória me pegou de surpresa. Recebi ele e Flor de Gume, da Monique Malcher, da Editora Pólen. Flor de Gume tenho lido devagar, a narrativa da Malcher é incrível e sensível e tem sido uma experiência incrível. Desmemória eu peguei para ler no fim de semana, assim que chegou, porque fiquei curiosa. Na história, Ana está em coma e Vic, sua esposa, tem certeza que é por culpa dela. Vic tem uma condição desde criança que ela suga memórias de outras pessoas. A escrita da Thalita Coelho é uma delícia, como se ela estivesse sentada do seu lado te contando uma história. É emocionante e gostosa de ler. É um livro sobre crescimento, amadurecimento e conhecimento, tanto de si mesma quanto daqueles que nos cercam. Eu fiquei muito surpresa e feliz com essa leitura, me apeguei muito às personagens e já sinto saudades. 

Lendo clássicos 

Esse ano eu comecei um projeto pessoal de ler clássicos. Em janeiro li Mulherzinhas, da Louisa May Alcott, pois queria muito ler antes de assistir o filme que ia sair, então resolvi estender para o resto do ano e tem sido uma experiência deliciosa. Em fevereiro li Emma, da Jane Austen, e foi bem difícil terminar, porque eu estava cansada da Emma, mas eu sou extremamente curiosa e resolvi ir até o final para saber o que iria acontecer ali. Em março li Agnes Grey, da Anne Brontë, e descobri que é minha irmã Brontë preferida. Agnes Grey é um livro incrível. Em abril li Norte e Sul, da Elizabeth Gaskell, e eu queria chacoalhar todos os personagens pelos ombros, mas lá pro final eu já estava fascinada por eles e queria saber o que eles iam fazer de suas vidas. Em maio li Grandes Esperanças, do Charles Dickens, e se eu comecei o livro achando que não ia conseguir me apegar à história, quando chegou na metade eu devorei todo o resto. Como o Pip vai sair dessa? Por que ele narra dessa forma, tão miserável? E em junho eu retornei para Anne Brontë e li A Senhora de Wildfell Hall, e não me decepcionou. Wildfell Hall discute temas como o alcoolismo e a natureza das pessoas e é um livro excelente.
  
Agora em julho eu pretendo ler A Época da Inocência, da Edith Wharton. Apesar de ainda não ter começado, quero muito começar em breve. 

Tive algumas outras leituras incríveis, como os quadrinhos Luz que Fenece, da Barbara Baldi, ou o segundo volume de Lady Killer, da Joëlle Jones e Jamie S. Rich. Também li A Redoma de Vidro, da Sylvia Plath, e seu livro com desenhos e cartas, acabei ficando encantada pela Plath. Li alguns poemas da Emily Dickinson, alguns poemas da Anna Akhmátova, li alguns contos, li algumas peças de teatro. Li também alguns outros livros que não gostei tanto, mas que vou guardar comigo. 

Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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