Retrospectiva: filmes assistidos no primeiro semestre de 2020


Essa semana fiz uma retrospectiva de algumas das minhas leituras preferidas do semestre, além das resenhas que já faço ao longo dos meses (você pode ler o texto aqui). Então, resolvi fazer também um texto de retrospectiva com meus filmes preferidos desse primeiro semestre.
Listei os filmes não necessariamente que saíram esse ano, mas os que eu assisti nesses meses. Alguns são mais antigos, outros são filmes mais novos, todos eles são fáceis de serem encontrados por aí. E eu me mantive dentro da ficção especulativa. 

Caso vocês queiram acompanhar o que eu assisto, além dos comentários que faço normalmente no twitter, também tem meu perfil do letterboxd. Lembrando também que caso vocês queiram me ouvir falar sobre filmes de terror e suspense dirigidos por mulheres junto com a Michelle, do blog Michelle das 5 às 7 e do Cine Varda, vocês podem acompanhar nosso podcast The Witching Hour, que é hospedado no site Necronomiconversa

País da Violência


Assassination Nation. 2018. Escrito e dirigido por Sam Levinson, o filme conta a história de quatro garotas que vivem na cidade de Salém. Certo dia, um boato se espalha e dá início a uma caça as bruxas com muito sangue inocente derramado, muita violência e muitas vidas arruinadas. O filme tem cenas incríveis, além do detalhe (deliberado) sensacional de se passar em Salém, com toda a carga histórica e emocional que o local carrega. As atrizes são ótimas, as quatro protagonistas são interessantes e carismáticas, e foi um filme que me surpreendeu bem positivamente. 

Os Tigres Não tem Medo


Tigers Are Not Afraid / Vuelven. 2017. Escrito e dirigido por Issa López, o filme segue um grupo de crianças órfãs, sofrendo com a criminalidade e violência das ruas e a falta de um adulto para tomar conta delas. Seus pais foram vítimas de um cartel da região, e ao tentar desafiá-los, as crianças podem ter o mesmo destino. Esse filme foi um dos grandes lançamentos dos últimos anos. A Issa López é uma diretora mexicana incrível e merecia mais reconhecimento pelo trabalho sensível, delicado e excelente que fez nesse filme. Tem dois projetos próximos, um deles sendo um western de lobisomens, e eu estou muito curiosa para acompanhar o que mais ela pode revelar por aí. 

A Cor que Caiu do Espaço


Color Out of Space. 2019. Baseado no conto de mesmo nome de H.P. Lovecraft, apesar de contar uma história com leves alterações, o filme foi dirigido por Richard Stanley e escrito por ele em parceria com Scarlett Amaris. Na história, um meteoro cai na fazenda de uma família que começa a sofrer com perturbações estranhas, principalmente a mãe. O filme tem cenas incríveis e, devo dizer, que eu esperava um pouco mais de loucura se tratando de Lovecraft e Nicolas Cage, algo mais no nível de Mandy. Mas percebi que essa não era a intenção do diretor, que já planeja uma trilogia com obras do autor. O final acabou me ganhando muito, então entrou na lista. 

O Mistério das Garotas Perdidas


Svaha: The Sixth Finger. 2019. Dirigido por Jae-hyun Jang, o filme acompanha um pastor que investiga cultos religiosos estranho e um policial que começa a investigar um caso de assassinato. Ambos acabam se encontrando por procurarem pistas do mesmo culto: o Deer Mount. Eu vou ser sincera logo de cara e afirmar que não sei porque eu gostei tanto desse filme, mas eu gostei. O clima dele é bastante estranho, as teorias, a ideia geral dele e os elementos do terror que foram usados, tudo junto, formou uma salada interessantíssima que me manteve com a atenção presa até o final. O filme está disponível na Netflix e eu recomendo bastante. 

Mormaço


2018. Dirigido por Marina Meliande, escrito por ela em colaboração com Felipe Bragança, Mormaço é um filme brasileiro, sobre uma defensora pública que tem trabalhado incansavelmente para que as comunidades que podem ser removidas de suas casa para as construções dos campos para as Olimpíadas e a Copa no Brasil de 2018. Eu fiquei fascinada por esse filme quando assisti. Tem detalhes incríveis, o clima, a atmosfera pesada e de calor, a gente sente o suor e a necessidades dos três ventiladores que tem na casa de Ana, interpretada por Marina Provenzzano. Alguns dos elementos, como os sons emitidos em determinado do filme, são um dos detalhes que mais me chamou a atenção e fez com que esse filme fosse um dos meus preferidos até agora. 

Antiviral


2012. Escrito e dirigido por Brandon Cronenberg, filho de David Cronenberg, o filme mostra uma sociedade do futuro em que é comum que fãs comprem doenças que seus ídolos possuem. Uma sociedade doente pelo mundo das celebridades, literalmente. Tem algo no Caleb Landry Jones que me faz querer acompanhar a carreira dele de perto. Ele é um ator muito interessante de ver em cena, e esse filme, com tantos momentos dele sozinho, é um prato cheio pra isso. Além disso, é um filme muito interessante, e Brandon parece seguir os caminhos do pai quando se trata de futuros distópicos, absurdos e aterrorizantes. 

O Homem Invisível


The Invisible Man, 2020. Escrito e dirigido por Leigh Whannell, baseado no livro de H.G. Wells (que, inclusive, comentei ter sido um dos preferidos do semestre no texto sobre livros), acompanhamos Cecilia, interpretada por Elisabeth Moss, fugindo de seu ex-marido abusivo. Entretanto, quando ele supostamente morre e deixa uma carta para ela, Cecilia não acredita que ele tenha de fato morrido. Cecilia começa a ser assombrada por uma presença constante que não a deixa descansar e põe a todos que ela ama em perigo. Eu cheguei a escrever um texto sobre o filme (que pode ser lido aqui), e repito: quando penso em um remake dos Monstros Clássicos da Universal, gostaria de ver características e elementos novos como foi com esse filme. Ele me aterrorizou de verdade. Assisti-lo no cinema sozinha foi uma experiência assustadora, e eu adorei. Preciso dizer também que assisti o filme original, de 1933 dirigido por James Whale e também gostei muitíssimo dele. 

M.F.A


2017. Dirigido por Natalia Leite e escrito por Leah McKendrick, o filme conta a história de uma estudante de artes, Noelle, interpretada por Francesca Eastwood. Noelle foi violentada por um dos garotos da faculdade e, quando decide denunciar, não recebe apoio. Então, Noelle resolve fazer justiça com as próprias mãos. Eu sou a primeira a dizer que não gosto de rape revenge, mas M.F.A tem alguns detalhes que me fizeram gostar muito do filme. Primeiro que existe uma tentativa muito visível de dar profundidade aos sentimentos da protagonista, tudo que ela passa a seguir ao abuso, o que ela sente, isso não é ignorado pela roteirista ou pela diretora, muito menos pela atriz que faz um papel tão bom. Além disso, a narrativa é muito coerente e tem uma força muito própria. O tema é triste e horrível, o filme é pesado só pela temática dele, então eu não recomendo pra todo mundo. 

Ameaça Profunda


Underwater. 2020. Dirigido por William Eubank, com história de Brian Duffield e roteiro escrito por ele em colaboração com Adam Cozad, temos uma equipe de pesquisa em uma estação submarina que se vê com sérios problemas após um terremoto acontecer. Em um corrida para não ficarem sem oxigênio, eles precisarão encarar o mar profundo para sobreviver. Eu fiquei fascinada por esse filme, um dos melhores do ano pra mim até agora. Vi muitas pessoas dizendo em como ele era semelhante a Alien, O Oitavo Passageiro, e eu sinceramente não me importo muito com isso. Ripley é uma excelente personagem, e Norah também. Quantos filmes com homens protagonistas que a gente vê que são a mesma coisa e eu não vejo a mesma quantidade de reclamações? O filme tem cenas incríveis, momentos sensacionais de terror embaixo d'água, e me deixou tensa do começo ao fim. O único defeito que ele tem, na minha opinião, é ser escuro demais, tem pouca luz, e as vezes tive que voltar algumas cenas. Fora isso, eu amei.  

Maria e João: O Conto das Bruxas


Gretel & Hansel. 2020. Bom, esse filme foi uma surpresa. Dirigido por Oz Perkins e com roteiro de Rob Hayes, é um filme que reconta a história de João e Maria, prestando mais atenção na personalidade da personagem feminina e dando mais atenção ao próprio terror da história. Foi uma surpresa porque eu realmente não esperava nada do filme, mas ele entrega um clima e uma atmosfera terríveis muito agradáveis (ou desagradáveis, depende do seu ponto de vista) e tem cenas belíssimas da floresta e da casa da "bruxa". Então, acabou se tornando um dos meus preferidos do primeiro semestre.

Prova Final


The Faculty, 1998. Dirigido por Robert Rodriguez, com história de David Wechter e Bruce Kimmel e roteiro de Kevin Williamson, alguns alunos suspeitam que sua escola e seus professores estão possuídos por alienígenas e precisarão encontrar uma forma de se manterem a salvo. Eu não sei como eu não tinha visto esse filme ainda, porque é o tipo de coisa que eu adoro. Uma mistura de slasher adolescente com Invasores de Corpos, achei incrível e fiquei uns dias falando sobre ele. É um filme divertido, não se leva a sério mas é coerente dentro da sua proposta, é engraçado e tem suas doses de tensão. 

Shirley


2020. Dirigido por Josephine Decker, com roteiro de Sarah Gubbins e baseado no livro de mesmo nome de Susan Scarf Merrell, Shirley é uma mistura de biografia e ficção da vida de Shirley Jackson, autora de terror importantíssima norte-americana que não tem toda o reconhecimento que merece. No filme, um professor da faculdade e sua esposa ficam como hóspedes na casa de Shirley e seu marido. Rose, a esposa do professor, começa a se apegar a Shirley, mas o relacionamento das duas se torna mais tenso e complicado ao passar do tempo. Escrevi sobre o filme aqui e é uma obra incrível. 

I See You


2019. Dirigido por Adam Randall com roteiro de Devon Graye, o filme conta a história de uma família que começa a ser perturbada por uma série de acontecimentos estranhos em sua casa. Após cometer uma traição contra seu marido, Jackie Harper se sente culpada e tenta se redimir de alguma forma. Entretanto, com tudo de esquisito acontecendo em sua casa, as coisas começam a ficar cada vez mais difíceis. Esse filme parece uma cebola, conforme você vai descascando ele vai tendo mais camadas e chega um momento que você já não faz mais ideia do que pode acontecer. Eu cheguei nele sem ter visto trailer, só tinha lido a sinopse, e terminei o filme meio coisada da cabeça. Achei ótimo. Ele tem uma história que te prende e que vai se tecendo ao longo da narrativa que é interessante acompanhar. 

Por Trás da Máscara: O Surgimento de Leslie Vernon


Behind the Mask: The Rise of Leslie Vernon. 2006. Dirigido por Scott Glosserman com roteiro escrito por ele e David J. Stieve, o filme acompanha uma equipe de documentário que decide produzir uma obra com Leslie Vernon, um novo serial killer. Na história, todos os outros grandes serial killers são reais, como Freddy, Michael Myers e cia. Além de ser um filme divertidíssimo que brinca muito com a ideia e convenções dos slashers, o filme ainda tem um monte de participações incríveis, como Zelda Rubinstein, que esteve em PoltergeistOs Olhos da Cidade São Meus, Kane Hodder, grande Jason, em uma aparição bem rápida, e Robert Englund, nosso eterno Freddy, fazendo um papel ótimo.  

Godzilla II: Rei dos Monstros


Godzilla King of Monsters. 2019. Dirigido por Michael Dougherty, escrito por ele com Zach Shields, acompanhamos uma equipe tentando deter um plano de soltar todas as criaturas da criptozoologia no planeta. Eu vi muita gente falando mal desse filme, mas achei ele divertidíssimo. Poderia ter menos parte com humanos e talvez alguns minutinhos a mais de Mothra, mas eu adorei. Achei incrível todo o visual, os acontecimentos, a ideia, além de um elenco excelente. E, além do mais, é o Godzilla. É sempre bom ver o Godzilla.


Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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