O Casal que Mora ao Lado, de Shari Lapena


Já comentei em outro texto aqui do blog como os thrillers geralmente são meus passatempos preferidos quando eu estou com bloqueio ou sem muita vontade de ler alguma outra coisa. E, por coincidência, eu estava com esse livro no meu kindle, parado, esperando que alguém o lesse. Eu não consegui largar ele até que terminasse.

O casal que mora ao lado, de Shari Lapena, lançado aqui no Brasil pela editora Record, com tradução de Márcio El-Jaick, conta a história do desaparecimento de uma bebê de seis meses enquanto seus pais estavam foram para uma comemoração de aniversário do casal vizinho. Ao longo da narrativa, várias peças do quebra-cabeças vão se reunindo e temos o quadro completo do que aconteceu, e preciso dizer que é um quadro cheio de tramas e pequenos detalhes.

Sobre o livro

Em uma sexta-feira à noite, o casal Conti, Anna e Marco, vai até a casa ao lado para comemorar o aniversário de seu vizinho Graham, com sua esposa Cynthia. Ambos bebem um pouco demais, e Anna não consegue suportar a pressão de ficar assistindo Cynthia, que antes era sua amiga, dar em cima de seu marido. Anna está passando por um momento difícil, de depressão pós-parto, após ter dado à luz Cora, filhinha de seis meses do casal. Cora estava sozinha naquela noite, pois a babá não pode comparecer. Depois de uma discussão entre Anna e Marco, em que Marco a convenceu a irem os dois e deixarem a criança com a babá eletrônica ligada, o acordo é que cada um dê uma olhada na bebê a cada meia hora. Quando chegam em casa, por volta da 1:30 da manhã, Cora tinha desaparecido. 

Durante a primeira metade do livro vamos construindo a história, compreendendo o que pode ter acontecido, quem seriam os supostos envolvidos, quem seriam os prováveis culpados. Descobrimos detalhes sobre a vida de Anna durante sua juventude, detalhes sobre Marco, sobre o casal ao lado e até sobre os avós da criança, os pais de Anna, que são ricos e os ajudam durante o sequestro. 

Mas é só durante a metade final que realmente conseguimos compreender todos os desdobramentos desse sequestro, o que aconteceu realmente, e todas as suspeitas infundadas levantadas durante o livro. 

Quem fica responsável pela investigação é o Detetive Rasbach. Não temos muitos detalhes de sua vida anterior ao acontecimento, mas Rasbach parece o típico detetive que já viu coisas demais na vida, coisas terríveis, e que não está muito esperançoso com o futuro ou com a humanidade. Para ele, todos são suspeitos. Anna poderia ter matado a filha e escondido o corpo, ou Anna poderia ter matado a filha por acidente e Marco poderia ter escondido o corpo. Ou o casal tivesse feito isso juntos. Para Rasbach, qualquer coisa poderia ter acontecido. 


A narrativa de Shari Lapena é muito objetiva, o que dá ao livro um fluxo de pensamentos bem rápido. Sabemos dos pensamentos de Rasbach, de Anna, de Marco, das discussões de Cynthia e Graham, de tudo o que está acontecendo por um narrador em terceira pessoal onipresente. A primeira metade do livro, inclusive, dá um clima um pouco noir para a história, com todas as possibilidades sendo apresentadas para o leitor e vários pensamentos dos personagens, com todos ali sendo suspeitos. 

O livro é um excelente passatempo, o suspense é interessante e mantém o leitor até os últimos capítulos querendo ter certeza do que aconteceu (apesar de já dar algumas pistas lá pelo meio, mas guarda uma surpresa ou duas nos capítulos finais). Lapena fala bastante sobre a depressão pós-parto da personagem, e pode parecer um pouco superficial, mas tenta desmistificar alguns preconceitos e ideias que o público geral possa ter sobre a doença: Anna é consciente de que ama sua filha, mas está passando por dificuldades naquele momento. A culpa não é dela e nem da menina. As angústias da personagem são levadas em consideração, mas até por não ser o foco do texto ele acaba sendo mencionado de forma breve, afinal, o foco é o sequestro, e o elemento da depressão é revelado pela investigação, não sendo um livro sobre o assunto exatamente. Não considerei uma abordagem prejudicial, só um pouco breve e superficial mesmo.

Talvez o que eu menos tenha gostado na história toda seja a forma condescendente que o marido é tratado já pela segunda metade do livro. Algumas coisas que ele deveria, sim, ser responsabilizado, e acaba que fica por isso mesmo, e jogam os holofotes para cima de Anna. 

No final, é um livro que entretém se você gosta de um suspense rápido e agitado do começo ao fim. Não há nada muito novo durante a história, existem convenções ali de histórias de detetive e suspense que conhecemos muito bem, mas é uma narrativa bacana para uma tarde. E: o livro está disponível no kindle unlimited, o que pode ser ainda outro atrativo.

Lembrando que os ebooks da Amazon podem ser lidos mesmo que você não tenha o aparelho kindle. Através de um app do celular ou do computador, você pode acessar seus ebooks em sua conta :)

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Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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