Cat Person e Outros Contos, de Kristen Roupenian


Traduzido por Ana Guadalupe e lançado no Brasil pela Companhia das Letras, Cat Person e Outros Contos, escrito por Kristen Roupenian, foi um daqueles livros que comprei no auge do sucesso de lançamento e acabei demorando quase dois anos para lê-lo. Mas, finalmente li, e pelo teor "estranho" de alguns contos, resolvi escrever um pouco sobre meus sentimentos com o livro.


Antes de tudo, é preciso contextualizar a situação: em 04 de dezembro de 2017, o New Yorker publicou o conto "Cat Person", que dá título ao livro no Brasil (em inglês, o título do livro é You Know You Want This). O conto se transformou em um rebuliço: geralmente um texto literário não gera tantos comentários como "Cat Person" gerou, com reações positivas e negativas, várias interpretações sobre o conto, uma enxurrada de tweets falando sobre o primeiro conto de Roupenian. Neste texto do site Nexo, de 14 de dezembro de 2017, há algumas das abordagens sobre o conto em questão.

O livro foi lançado em janeiro de 2019 pela Companhia das Letras, e todos ficaram muito interessados em conferir outros contos da autora. Roupenian chegou a vir na Flip de 2019, como convidada.

Comprei o livro pouco depois do lançamento, inspirada por outras autoras "de ficção estranha", como a Michelle Henriques costuma chamá-las, essa onda de literatura que inclui Mariana Enríquez, Carmen Maria Machado e Samanta Schweblin, por exemplo, que escrevem uma literatura que une o horror e o cotidiano e o realismo mágico de uma forma muito natural.

Lendo o livro preciso dizer que não gostei de todos os contos. Com doze contos ao todo, acabou sendo uma leitura rápida e até divertida, mas poucos dos contos realmente me deixaram impactada ou surpresa positivamente. Os outros, infelizmente, ou me deixaram desconfortável e não de uma forma boa, ou me deixaram esperando que acabassem logo.



Dos que mais me chamaram a atenção, preciso destacar "Sardinha", que é uma história sobre um jogo jogado por uma garotinha com suas amigas em sua festa de aniversário. Sua mãe se divorciou recentemente, a criança está passando por algum tipo de mudança que ela não entende e surgiu esse jogo estranho que ela tenta compreender. O narrador em terceira pessoa se concentra principalmente na mãe, Marla, e em seus sentimentos. O desfecho é interessantíssimo e me fez ficar muito curiosa com a história.

Destaco também "O Espelho, o Balde e o Velho Fêmur". O conto é estranhíssimo, lembra um conto de fadas que deu errado e tem escolhas narrativas muito curiosas. Na história, uma princesa precisa se casar logo mas não consegue se decidir por ninguém, até que o Rei e a Rainha fazem uma trapaça e armam uma estrutura com um espelho, um balde e um fêmur. Foi o conto que mais achei diferente e que gostei de ter lido, e se tornou facilmente meu preferido do livro.

O conto "O Sinal da Caixa de Fósforos" também tem algumas particularidades interessantes, a forma como a escritora conduz a história de uma mulher que está com uma estranha doença cutânea e seu namorado tenta ajudá-la mas tem suas próprias imperfeições para lidar no processo. Uma história sobre crise no relacionamento causa por uma doença que não se pode enxergar, mas com um toque bem fantástico.

Destaco negativamente o conto "Vontade de Morrer": o tom do conto tem algo de condescendente, narrado por um homem com uma vida medíocre que sai com algumas mulheres através de aplicativos de paquera e, certo momento, se encontra com uma moça que pede para apanhar. Sinceramente, não é um tema que me interesse, e, como mencionei, o tom do conto não parece ser o correto para contar essa história.

Os contos pelos quais a autora acabou ficando mais conhecida, que são "Cat Person" e "Seu Safadinho", que abre o livro, são contos interessantes mas que não me chamaram tanto a atenção quanto os que foram citados.  A escrita de Roupenian é fluida, mesmo que alguns contos pareçam ser detalhados e arrastados demais. Algumas de suas histórias até tem temas atuais e um trabalho interessante de "contar a história".

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Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

Um comentário:

  1. Adoro uma "ficção estranha"! Botei esse livro na minha lista de desejados logo que saiu no Brasil, mas ainda não comprei. Acho que vai continuar na listinha por um tempo...rs

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