A Seca, de Jane Harper

A Seca, de Jane Harper

As vezes, depois que lemos um livro muito bom, não conseguimos pensar no que ler a seguir. O "fenômeno" conhecido por ressaca literária é um horror e bastante recorrente. Quando essas coisas acontecem comigo, o que costuma me tirar desse momento triste é ler um bom thriller, daqueles que não me deixa prestar atenção em mais nada. Geralmente eu escolho um livro da Agatha Christie, porque sei que vai ser tiro e queda: vou pegar o livro, ler ele de uma vez e seguir adiante.

Eu estava sem nenhum livro da Christie quando terminei de ler Anno Dracula em abril, então li alguns quadrinhos – li Ghost World, Dylan Dog Mater Morbi e o segundo volume de Lady Killer, e recomendo todos. Então, fui remexer nos livros não lidos, e encontrei A Seca, de Jane Harper, e foi uma excelente surpresa quando eu terminei o livro sem nem perceber.

O Livro

A Seca, livro lançado aqui no Brasil pela Editora Morro Branco, traduzido por Claudia Costa Guimarães, conta a história de uma cidadezinha na Austrália, chamada Kiewarra, em que não chove há dois anos. A cidade tem por maioria um sustento agrícola, então dá para imaginar como as coisas estão tensas por lá. Certo dia, três dos membros da família Hadler, composta pelo pai, a mãe e duas crianças, são encontrados mortos. A cidade fica chocada, mas ao que tudo indica o pai cometeu o crime, deixando uma das crianças vivas antes de cometer suicídio. Mas seria só isso mesmo?

Não era como se aquela fazenda não tivesse visto morte antes, e as varejeiras não faziam qualquer discriminação. Para elas, havia pouca diferença entre uma carcaça animal e um cadáver humano.

Aaron Falk era amigo de Luke Hadler, o pai, e retorna para sua cidade natal para o funeral dos membros da família quando recebe um pedido de ajuda do pai de Luke: será que ele poderia investigar o que houve? Por que um cara que era tão tranquilo cometeria um ato horrendo daqueles? Levado por alguns indagações, principalmente por algumas lembranças devastadoras de seu passado, ele resolve investigar por conta própria, e depois com a ajuda do novo chefe da polícia da cidade.

Dá para dizer que são duas histórias que se conectam: o passado de Falk e Hadler, com duas de suas amigas da adolescência, em que algo terrível aconteceu; e o presente de Falk, em que Luke está morto e ele quer descobrir o que houve. Então são dois mistérios para serem resolvidos ao longo das páginas, e conforme Falk cava mais e mais fundo para descobrir, mais ele se surpreende tanto com a cidadezinha em que ele nasceu, quanto consigo mesmo.


Achei uma delícia de leitura. O livro é muito fluido, é rápido, os acontecimentos são interessantes e se ligam ao redor de uma teia de tensões pessoais que, mesmo que não estejamos na história, nos tocam de alguma forma. Nós queremos descobrir o que houve com o Luke, o que o levou a agir dessa forma, como as coisas se conectam com o que aconteceu tantos anos antes, queremos saber o porquê de Aaron ter ficado tanto tempo longe da cidade, acabamos nos importando com os personagens, o que torna a leitura ainda mais intensa. Gostaria que as personagens femininas tivessem mais destaque, talvez, mas acabei me prendendo muito aos dilemas do Aaron e achei um bom personagem.

O livro foi indicado e venceu prêmios importantes como Australian Book Industry Award, British Award e Indie Book Award, além de ter sido escolhido como melhor do ano em listas como Sunday Times e Goodread Choice Award.


* Livro recebido como cortesia da Editora Morro Branco. :)

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Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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