Mia Allen, a protagonista do baita remake de Evil Dead.


Evil Dead é uma franquia de renome. Desde 1981, quando o primeiro filme foi lançado, tem conquistado mais fãs a cada dia que passa. Criado e dirigido por Sam Raimi, é destaque em uma subcategoria de filmes de terror que faz bastante sucesso: jovens viajam até uma cabana para passar um final de semana, e algo desperta na floresta; um tipo de variação de jovens em acampamentos de férias ou jovens que se reúnem para acampar.

No longa de Raimi, acompanhamos um grupo de jovens liderado por um rapaz chamado Ash Williams (Bruce Campbell). Williams é um rapaz comum, e seus amigos também, mas ao encontrarem um estranho livro, Ash tem a irmã possuída por algo que veio da floresta, e um a um seus amigos acabam sendo destruídos por essa entidade. O filme rendeu duas sequências, Evil Dead II (1987) e Army of Darkness (1992), e uma série de TV, Ash vs Evil Dead (com três temporadas, de 2015-2018), essas três protagonizadas por Ash. E, rendeu um remake em 2013. Mas, para espanto de todos, esse não foi protagonizado por Ash.
O texto a seguir contém spoilers, e é recomendado que o filme seja assistido antes da leitura.





Dirigido por Fede Alvarez (diretor do também muito aclamado Don't Breathe, de 2016), o filme tem a mesma ideia dos filmes anteriores: viagem de alguns amigos para uma cabana isolada. Mas, dessa vez, temos um motivo: Mia Allen (Jane Levy) teve alguns problemas com drogas após a morte da mãe, e seu irmão, David (Shiloh Fernandez), quer que ela se recupere. Então, junto com alguns amigos, eles se reúnem no local.
Mas Mia não gosta de lá e quer desesperadamente ir embora, mesmo que todos os outros não queiram. Tenta fugir, e enquanto isso, um dos amigos descobre um estranho livro, o Naturom Demonto. Ao ler algumas palavras do livro, o jovem desperta algo que encontra Mia na floresta. Daí em diante, assim como nos filmes anteriores da franquia, é morte atrás de morte.

Até dado momento do filme, confiamos que o protagonista é David e acreditamos que teremos um filme igual ao Evil Dead de 1981, com uma Mia vilã e David tendo que matar a irmã e livrar o mundo de tamanho mal, com a pequena diferença e uma camada a mais, que são os problemas explorados de Mia (as drogas e o peso que teve ao cuidar da mãe). Porém não é bem assim. Em determinado momento, quando tudo vai mal, Mia retorna e retorna como heroína, ela mesma assumindo a famosa serra elétrica, um ícone que pertencia ao s protagonista anterior, Ash.



Mesmo que por grande parte do filme estejamos concentrados em David, é Mia que sobrevive. Não podemos dizer que ela é uma final girl ou uma scream queen, mas ela é uma sobrevivente e uma das mais excelentes.
Mia sobreviveu às drogas, Mia teve que cuidar de sua mãe doente enquanto seu irmão seguia com sua vida, sem ao menos ir visitá-las, e é algo que Mia, enquanto possuída, repete diversas vezes. Algo que realmente a afetou. Mia sobreviveu ao inferno na terra, e ainda foi possuída por alguma entidade horrível na floresta, porque quando pediu para ir embora, ninguém deixou que ela fosse.
Pode parecer, em primeiro momento, que Mia é dura demais dizendo ao David que esperava que pelo menos uma vez ele estivesse ao lado dela, e talvez tenha sido escolha de Alvarez que a colocasse nessa posição: de errada, de cruel, de parecer que David é uma pessoa boazinha.
Mas não engana muito. Você simpatiza com Mia.

A personagem foge de uma boa parte dos estereótipos dos filmes de terror com protagonistas mulheres. Ele não faz dela uma donzela indefesa, pois ela já passou por muita coisa e parece que não será salva de forma tão simples; e ela não é uma femme fatale, porque ela está possuída. Ela até poderia ser considerada a mulher monstruosa, mas quando retorna ela derrota todos os seus fantasmas e terrores.



Entretanto, e ainda assim, o filme não é perfeito e carrega um erro que, infelizmente, é comum em grande parte de narrativas escritas por homens: a cena dos galhos e das árvores configura certo tipo de agressão sexual e é desconfortável da mesma forma, igual ao filme de 1981, algo que poderia ter sido feito diferente dessa vez.
Apesar disso (e com o uso da palavra apesar não estou relevando a ação, somente pontuando outros detalhes), Alvarez construiu um filme até bem acertado, e um tremendo remake, além de ter feito algumas escolhas corajosas para seus personagens. Em listas de melhores remakes, e quando consumidores de terror são perguntados, quase sempre a resposta principal é Evil Dead de 2013, com uma enorme quantidade de fãs da franquia original que permaneceram fãs do filme novo.
O filme, em si, é bastante consistente e tem cenas incríveis, além de uma dinâmica muito interessante entre os dois personagens principais, Mia e David.

Atualmente o filme se encontra somente em inglês com legendas em inglês ou espanhol no catálogo da Amazon Prime Video.
Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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