Dana, O Segredo da Cabana e alguns elementos comuns dos slashers

Dana, O Segredo da Cabana e alguns elementos comuns dos slashers

O Segredo da Cabana (Cabin in the Woods) é um filme de 2011, dirigido por Drew Goddard (diretor do também ótimo Maus Momentos no Hotel Royale), com roteiro de Joss Whedon (Buffy, Avengers). Um filme de comedy-horror, meio slasher/teen horror, e tem um plot comum entre esses filmes: um grupo de jovens amigos vão até uma cabana isolada para passar uma folga dos estudos. Entretanto, desde o começo, percebemos que tem algo errado: alguém os observa. Não só observa, como faz apostas e ri das escolhas que eles tomam, e até manipulam alguns caminhos que eles escolhem.

O texto adiante contém spoilers, então é recomendado assistir o filme antes de ler.

O Segredo da Cabana é, antes de tudo, um filme feito pra tirar sarro dos filmes de teen horror e slasher que tem esses mesmos elementos, que até o começo dos anos 2000 foram muito comuns. Você lê um livro ou abre um porão ou descobre uma antiga lenda local em que um cara se afogou no lago, desperta uma força maligna antiga, e pronto, seu final de semana e o de seus amigos estão arruinados, e dificilmente (nunca) vocês sairão vivos dessa.

Como explica a personagem de Sigourney Weaver, chamada somente de A Diretora, existem 5 tipos de personagens que vão até esses lugares: A prostituta (que geralmente morre primeiro), o atleta, o estudioso, o tolo e a virgem. No filme, entretanto, cada um dos personagens acaba entrando no território do outro. Dana (Kristen Connoly), que era pra ser a virgem, na verdade teve um caso recente com seu professor; Curt (Chris Hemsworth), o atleta, acaba se mostrando um cara bastante inteligente e amigável; Jules (Anna Hutchison), o estereótipo da mulher sexualmente ativa e que sempre morre primeiro, tem seu relacionamento sério com Curt e, tornando as coisas ainda mais engraçadas, acabou de pintar o cabelo de loiro; Holden (Jesse Williams), o estudioso. entrou agora no colégio, mas é muito bom e esportes além de ser inteligente; e Marty (Fran Kranz), que era pra ser o tolo, na verdade é quem descobre desde o início que eles estão servindo como marionetes para algo maior.


O filme é um slasher, ainda sim, e as coisas acontecem conforme planejado, mas somente porque quem os observa e os manipula (a equipe dA Diretora), acaba fazendo com que eles tomem caminhos que eles não escolheram. Ao não se separarem quando em todos os filmes os outros se separam, a equipe acaba fazendo com que eles escolham se separar.

Dana é uma personagem interessante. Escolhida desde o começo para ser a final girl dessa narrativa, mesmo que manipulada, não é o tipo de garota final comum. Logo na primeira cena em que aparece ela está arrumando suas malas de calcinha em seu quarto, algo comum, mas algo que uma final girl, com sua moral pura, geralmente não apareceria em cena (com exceção de Ripley, em Alien, falando novamente da já citada Sigourney Weaver). Seu relacionamento com seu professor também é algo que não seria comum em uma final girl.

Dana decide que eles tem poder de escolha sobre suas próprias vidas, e quando confrontada a matar seu amigo para que o mundo não acabe, quase o mata realmente. Outro ponto que dificilmente uma final girl normal faria, pois provavelmente ela teria escolhido o amigo. Dana se coloca em risco constante também. Pelos perigos serem algo semelhante a uma roleta russa, onde as coisas acontecem através de pequenos gatilhos dos personagens, quase como em um RPG, Dana acaba se safando por pouco, até chegar ao final. Ela precisa ser a última do filme, pois senão o sacrifício não estaria completo.

A equipe não contava, entretanto, com o fato de que Marty não era tão tolo assim, e acabou sobrevivendo. Ao sobreviver, Dana já não era a última. E, assim como em todos os outros países que realizavam esses sacrifícios, a equipe dos Estados Unidos falhou. Outro detalhe do filme interessante é esse entre os países. Temos algumas cenas, por exemplo, de um fantasma japonês solto em uma escola infantil, mas as crianças conseguem pará-lo.


É um filme divertido, que tenta quebrar várias regras estabelecidas no subgênero, brincando com esses estereótipos e distorcendo esses pequenos detalhes, comuns em outros slashers. Um filme que procura refletir alguns estereótipos e papéis em filmes de terror. 
O filme está disponível na Netflix.



Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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