A franquia Brinquedo Assassino


Gosto de fazer maratonas de franquias porque, de certa forma, coloca a história em uma perspectiva diferente de assistir um filme de cada vez. Além de conseguir acompanhar melhor, você acaba percebendo alguns elementos, repetições, etc, e isso é muito divertido.
Ano passado fiz as maratonas acompanhados de alguns textos pro site de Halloween, Underworld e Crepúsculo, além das maratonas de Wishmaster e Phantasm; e posso dizer que me diverti bastante.

Com a recente polêmica do reboot e da série de Chucky, eu achei que seria bacana tentar compreender essa história maluca desse brinquedo homicida e falar um pouco sobre essa polêmica.
Os comentários sobre os filmes contém spoilers. Caso você não tenha visto, é interessante avançar a leitura até a parte da polêmica.

Child's Play (1988)

Dirigido por Tom Holland
Uma mãe (Catherine Hicks) solteira que trabalha pra caramba pelo seu filho Andy (Alex Vincent), quer lhe dar de presente um boneco Good Guy. Consegue, ao comprar de um morador de rua, mas sem saber que aquele boneco abriga a alma de um ladrão assassino, Chucky (voz de Brad Dourif), que, ao ser perseguido pela polícia e levar um tiro, colocou a alma no boneco.

Começa aí a confusão toda. Karen Barclay é uma mulher trabalhadora, não consegue entender tanto horror que ronda seu filho. Uma coisa muito bacana desse primeiro filme é que a gente não sabe se Andy é quem está cometendo esses assassinatos ou o próprio Chucky (claro, se o Chucky já não fosse um grande ícone do terror, isso seria mais percebido - mas assistam com atenção, demora demais pra que o Andy se livre realmente da culpa). Tudo é muito assustador para Karen, e ninguém acredita nela de que seu filho é inocente. A intenção de Chucky, claro, não é só tocar o terror: ele espera conseguir um corpo, e sair de dentro do boneco.



Child's Play II (1990)

Dirigido por John Lafia.
Karen foi para um hospital psiquiátrico, enquanto Andy (Alex Vincent) é acolhido por uma família. Ninguém acredita nele sobre tudo que aconteceu naqueles dias com o boneco Chucky. Porém, ao receber um boneco igual aquele, outras mortes acontecem.

Esse filme tem um elemento legal que é a Kyle (Christine Elise), uma adolescente meio problemática, mas que se afeiçoa ao Andy e acaba o ajudando contra Chucky. A Kyle é uma personagem muito adorada por aqueles que gostam da franquia, e ela tem uma personalidade muito atraente, porque a única coisa que ela quer é destruir muito o Chucky, já que nada mais pode ajudar.

Inclusive, considero esse um dos melhores finais com a morte do Chucky, em que ele é derretido. É ótimo.



Child's Play III (1991)

Dirigido por Jack Bender.
O calvário do Andy, agora um adolescente (e interpretado por Justin Whalin) não acabou. Além de ser enviado até uma Academia Militar, Chucky continua rondando sua vida, para ter vingança pelos seus planos arruinados.

Eu acho, na minha humilde opinião, que é aqui que a franquia começa a descer ladeira a baixo (no bom sentido). É nesse filme que Chucky revela toda a sua personalidade explosiva e absurda, cruel e violenta. Nos outros filmes tinham mortes e etc, mas a personalidade dele mesmo, aquela que vai permanecer pelo resto da franquia, de boca suja, de ladrão que, já faz tanto tempo que está preso em um boneco, começou a se divertir e, apesar de ainda querer muito voltar a ter um corpo, agora só quer causar muito estrago pelo caminho. Outra personagem de destaque na vida de Andy é De Silva (Perrey Reeves), uma cadete que ajudará Andy em seus dias cinzas e maltratados na Academia Militar.



Bride of Chucky (1998)

Dirigido por Ronni Yu
Tiffany (Jennifer Tilly), ex namorada de Chucky quando ele ainda era um homem de carne e osso, acaba encontrando o boneco e o trazendo de volta à vida. Porém Chucky quer companhia, e refaz o ritual para que Tiff também se transforme em boneca.

Se no filme passado a grande personalidade real de Chucky, o verdadeiro tom do boneco foi descoberto, é nesse que os exageros da franquia começam a aparecer. Tem cenas nesse filme que precisaram de muita criatividade pra serem pensadas (e acreditar muito nos seus fãs, pra que eles não questionassem o que raios os produtores estavam pensando). Porém, é muito interessante a personagem da Tiffany e o relacionamento com ela e Chucky. Um dia pretendo me concentrar na personagem e fazer um texto só sobre ela. É sem dúvida meu preferido, apesar (ou por causa) dos absurdos.



Seed of Chucky (2004)

Dirigido por Don Mancini.
Tiffany e Chucky tiveram um filho! Apesar de todas as regras da natureza, fica claro que elas não se aplicam à família de plástico mais excêntrica (e assassina) da história. Seu filho (ou sua filha), Glen (ou Glenda), acaba ressuscitando os pais e os levando para mais uma road trip violenta.

É até difícil falar sobre esse filme. Tudo nesse filme é extraordinário. Eu não tenho palavras pra ele. Vocês fiquem à vontade se quiserem comentar alguma coisa.



Curse of Chucky (2013)

Dirigido por Don Mancini.
A mãe de Nica (Fiona Dourif, filha de Brad Dourig, isso mesmo, a voz do Chucky) morreu, e agora ela tem que lidar com a irmã egoísta, e com um boneco que recebeu pelo correio. Muitas revelações nesse filme.

Depois de alguns anos, resolveram fazer um revival da franquia. O que todo mundo achava ser um reboot ou um remake, se mostrou só uma continuação com o aparecimento de nosso querido Andy (que voltou a ser interpretado por Alex Vincent). É um filme muito bom. Os exageros são diminuídos, parece que retornam um pouco o tom sombrio, e apesar de ainda termos Tiffany, as coisas estão bem menos espalhafatosas. Não que isso me deixe feliz, porque eu realmente gostada dos absurdos e exageros, mas ainda sim é um bom filme, deram um bom rumo com essa continuação.



Cult of Chucky (2017)

Dirigido por Don Mancini.
Nica (Fiona Dourif) acabou sendo enviada à um Hospital Psiquiátrico após ser acusada e julgada culpada por todos os assassinatos do filme anterior. Mas, como bem conhecemos Chucky, hospitais e academias não podem pará-lo, e o terror para a jovem Nica acabou de começar.

Esse filme é um bocado arrastado, muito repetitivo, e tem algumas poucas cenas boas (com o Andy, por exemplo, e a cena da cama, referência ao Bride of Chucky). Tem uma escolha de roteiro interessante (spoiler: em que o Chucky, finalmente, consegue sair do seu corpo de boneco - depois de ter separado sua alma em vários Chuckies, digno de Voldemort - e acaba entrando no corpo de Nica), mas, infelizmente, é um pouco desperdiçado em um roteiro meio chatinho.


A polêmica:

Pois bem. Don Mancini é o criador de Chucky. Ele criou a história, os bonecos, e dirigiu os últimos três filmes do boneco assassino. Porém, em uma decisão muito errada e nada astuta, a Orion Pictures, que é uma produtora irmã à United Artists, que produziu a franquia, conseguiu os direitos de Child's Play e resolveu fazer um remake da franquia inteira, inclusive com os mesmos nomes de Karen Barclay (agora interpretada por Aubrey Plaza) e Andy Barclay (Gabriel Bateman). Don Mancini, Jennifer Tilly e outros atores/produção da franquia original ficaram descontentes com essa ideia, e afirmaram não terem interesse nisso. No dia do lançamento do teaser, Tilly ainda tuitou sobre o assunto:


O que, é claro, não é de se espantar, afinal, levaram para frente um projeto em que o próprio criador não tem interesse nenhum. Afinal, o revival que aconteceu em 2013 prometia novos rumos para o filme, e os fãs da franquia estavam realmente interessados nesses rumos, não em um remake.

Porém, é claro, que se tratando de Chucky as coisas nunca param por aí e nunca são simples, não é mesmo? A morte é só o começo. E o que parecia ser a morte da franquia antiga, já que estão fazendo esse reboot, acabou se transformando em outra coisa. Mancini anunciou, em parceria com o canal Syfy, uma série sobre o Brinquedo Assassino, dando sequência à franquia antiga.

Apesar de o anuncio da série ter sido feito em fevereiro de 2018, e o anuncio do filme um pouco depois, o que eu imagino é que as conversas sobre o remake já estavam sendo colocadas na mesa, e o Mancini, junto com o Syfy, resolveu agir. Caso a série realmente tenha saído antes, e a Orion tenha pensado "orra, que série o quê, vamo fazer um remake", isso ainda deixa eles em lençóis piores ainda.

O que deixa tudo ainda mais absurdo é que, de acordo com alguns roteiros e algumas fontes, algumas ideias e elementos utilizados no novo Child's Play foram do Mancini, mas que foram vetadas pela United Artists no primeiro filme, em 1988.

O trailer do novo Child's Play já foi divulgado, e a data de estreia está prevista para junho deste ano. Aparentemente, não temos mais a marca "Good Guy", que foi trocada para "Buddi guy", e terá uma tecnologia avançada, de inteligência artificial, capaz de aprender e cometer atos de violência (informações retiradas daqui)

O trailer pode ser conferido abaixo:



ATUALIZAÇÃO: Pelo que meu amigo Davi me informou, Child's Play, a partir do segundo filme, foi para distribuição da Universal. Por isso duas distribuidoras tem os direitos sobre a franquia.

Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

3 comentários:

  1. Confesso que o único filme da franquia do Chucky que eu vi foi justamente A noiva de Chucky e achei tão, tão engraçado, que pra mim acabou virando uma comédia, tipo um "terrir". Acho que é por isso que eu não consigo levar a sério. 😂

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  2. Mesmo tendo um boneco muito parecido com o Chucky e tê-lo colocado de lado por um tempo por conta do filme, eu sinceramente não me lembro direito dos primeiros longas. Mas a noiva é memorável. Gargalhadas garantidas!!

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  3. Meu ranking pessoal da franquia seria: CP II, CP I, CP III, The Curse of Chuck, The Cult, the Bride e The Child, só porque apesar se gostar bastante do humor do terceiro filme, eu não consigo curtir a familia de bonecos, mas é gosto pessoal mesmo rs. Apesar disso, ainda acho a Tiffany um personagem maravilhoso dentro da franquia.
    Achei uma bosta esse negócio do remake com inteligência artificial, espero muito que a série aconteça mesmo.

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