Review: Creature from the Black Lagoon, 1954


Talvez um lugar tão assustador quanto o universo afora e seus possíveis alienígenas, o oceano e aquilo tudo que ele esconde também tenha um espaço especial no imaginário do terror. Reservatórios de água, rios, lagoas, mares, piscinas, enfim, tudo isso pode servir de cenário para um ótimo filme de terror; mesmo que não seja um filme sobre essas criaturas, o medo do que se esconde abaixo d'água é comum.

Em 1954 era lançado Creature from the Black Lagoon, dirigido por Jack Arnold e um dos filmes que entrou para o que conhecemos como "Universal Monsters", que fizeram um sucesso tremendo entre as décadas de 1930 e 1960.

Em Creature from the Black Lagoon conhecemos uma expedição que vai até a Amazônia conhecer seus segredos, já que, em uma escavação, encontraram uma mão de um ser que não parecia ser humano. Podemos notar uma visão da Amazônia bastante próxima a do século XIX, com muitas belezas naturais, quase como um "outro mundo", um mundo que abriga novidades das quais eles não estão familiarizados.

Três personagens importantes dessa expedição são Kay (Julie Adams), David (Richard Carlson) e Mark (Richard Denning). Kay é a única mulher na expedição, mas não fica atrás de nenhum dos homens em conhecimento, e talvez isso seja ponto importante de se perceber no filme. Durante a expedição eles se deparam com um ser estranho, meio anfíbio meio humanoide, e ele é a criatura que habita a lagoa negra: Gill-Man. A partir daí, a expedição que antes estava ali só para conhecer as criaturas exóticas, acabam entrando numa perseguição de gato e rato (as vezes sendo o gato, as vezes sendo o rato) contra a criatura da lagoa negra.


Gill-Man não pode ser considerado o vilão do filme. Assim como em alguns outros trabalhos da Universal do mesmo período, onde as criaturas são incompreendidas (vide Frankenstein e Bride of Frankenstein) e acabam sendo deixadas à mercê de humanos cruéis, Creature from the Black Lagoon não é diferente.

Necessário dizer, inclusive, que o maior vilão do filme é Mark: além de não querer deixar Gill-Man em paz, mesmo David afirmando que estavam ali apenas para fotografar e fazer pesquisas, não para conquistar troféus, Mark ainda tem atitudes bastante tóxicas, gostando de demonstrar sua virilidade através de arpões e sentindo um sentimento de posse e ciúme com Kay.

Kay, inclusive, tem papel importantíssimo durante o filme: sendo a única mulher pesquisadora, também denúncia as dificuldades desse local, com uma super proteção e preocupação para com ela que não ocorre com outros membros da expedição, como que por ser mulheres seria também mais frágil que os outros (sendo que nunca demonstrou fragilidade, e é tão inteligente quanto todos os membros homens).

Gill-Man observa com curiosidades essa expedição que chega a sua casa, e em determinado momento rapta Kay. Porém, e algo interessante de Gill-Man que o aproxima da criatura de Frankenstein: ele não causa mal algum a sua "vítima". Kay não fez nada de ruim a ele, mas os homens da expedição o fizeram, e ele pretende se vingar, não deixando que eles saiam da lagoa.

Ainda hoje Creature from the Black Lagoon é uma obra que influencia os fãs de terror, e grande exemplo disso é o ganhador do Oscar de 2018 como melhor filme, Shape of Water, dirigido por Guillermo Del Toro. Além disso, não é incomum encontrar fãs dos Universal Monsters que o elejam como melhor filme e melhor criatura dentre esses filmes.

E outro detalhe interessante: o design da cabeça do traje da criatura foi criado por Milicent Patrick, a primeira mulher animadora da Disney, que teve seu trabalho apagado e esquecido por um homem que ficou com inveja de seu sucesso. Falei um pouco sobre ela no texto Milicent Patrick: a designer de monstros desconhecida.


A atriz Julie Adams faleceu no último domingo, dia 03 de fevereiro de 2019, aos 92 anos de idade, mas não sem deixar uma legião de fãs pelo seu legado como uma das grandes heroínas do terror do século XX.

A autora Mallory O'Meara escreveu um livro sobre Milicent Patrick, ainda sem tradução para português, lançado agora em março. O livro pode ser adquirido em inglês pelo link da Amazon.



Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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