Resenha: Prisioneiros do Inverno, de Jennifer McMahon


Se você pudesse, traria os mortos de volta à vida?
Esse pode ser um tema muito trabalhado dentro do terror: incontáveis autores e produtores e diretores já se debruçaram sobre ele e deram seus olhares do que poderia acontecer caso isso fosse possível. Mas, uma das belezas de se trabalhar com temas que se repetem, é poder dar sua própria interpretação à eles.

Um dos contos de terror mais conhecidos que exploram a temática é o conto "A Mão do Macaco", do autor inglês W.W. Jacobs. Diversas obras foram inspiradas nele, a partir da ideia de que, quando você devolve alguém a vida, eles acabam não voltando como se foram: eles retornam bem piores.

Prisioneiros do Inverno, de Jennifer McMahon, lida com esse tema. Lançado aqui no Brasil pela Editora Record, com tradução de Ana Carolina Mesquita, é um livro interessante, tenso, com temas pesados.

McMahon não perde o ritmo. Mesmo que a narrativa se passe em momentos diferentes, acontecendo em 1908 e em "dias atuais" (2015, quando o livro foi publicado), a autora consegue manter bem a fluidez, consegue fazer com que queiramos entender como as histórias se conectam, o que está acontecendo, afinal.

Em 1908 somos apresentados ao diário de Sara Harrison Shea, que foi editado após sua morte por Amelia, sua sobrinha, e publicado, para que todos conhecessem o que havia acontecido com Sara, que guardava segredos sombrios. Nos dias atuais, acompanhamos as histórias de Ruthie, com sua mãe Alice e sua irmãzinha Fawn, e a história de Katherine, que perdeu o filho e o marido em acontecimentos recentes.

Prisioneiros do Inverno é, sobretudo, uma história sobre morte, perda, sobre desaparecer, sobre saber ou não lidar com o luto e com a falta. Quando tudo é tirado de você, como você resolve sua vida? Você segue em frente ou permanece agarrado ao passado? McMahon nos apresenta personagens diferentes, como elas lidam com a situação, o que elas decidem fazer a partir de situações estranhas onde estão inseridas.

Sara viu muitas coisas absurdas em sua vida, e muito já foi tirado dela. Apesar de todos acharem que ela é louca, Sara se mantém em seu juízo perfeito, mas ninguém acredita nela. Ruthie é uma adolescente complicada, que perdeu o pai, e tudo que quer é sair da cidadezinha interiorana onde vive com sua mãe e irmã. Ela quer conhecer o mundo, que fazer faculdade fora, sabe que ali não tem muito para ela. Katherine é uma mulher que se mantém por um fio de desabar, após a morte do marido e do filho, e não podemos saber se sua intuição é real ou se se a melancolia faz com que ela tome as decisões que se seguem no livro.

E sim, todas as personagens principais do livro são mulheres. Diferentes entre si, que tem decisões e rumos muito diversos, mas mulheres que perderam ou podem perder muito. Nós vemos diferentes idades, diferentes situações, diferentes mulheres. Conforme conhecemos mais as personagens, fica difícil se posicionar contra ou a favor, tamanhas as particularidades entre elas.

Foi uma boa surpresa ter escolhido esse livro para ler. Uma leitura que te mantém ocupado, atiça sua curiosidade, te mantém intrigado até o último capítulo. As histórias se conectam sem muito esforço, e as reviravoltas na narrativa são interessantes. A leitura é fluida, as personagens são ótimas, temos momentos de impacto e momentos bastante emocionais. É um livro rápido de ser lido, daqueles que devoramos com avidez.

E você, traria seus entes queridos que morreram de volta do mundo dos mortos? Mesmo que eles não voltassem exatamente como eram?

Site da autora: Jennifer McMahon
Compre o livro: Amazon


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Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler tomando um café quentinho.

2 comentários:

  1. Li esse livro faz tempo e até resenhei num outro blog. Me surpreendeu muito, porque eu não esperava muita coisa e de repente todas as protagonistas são mulheres. Foi uma ótima leitura.

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    1. Me surpreendeu muito também! gostei muito das protagonistas, do jeito que a história se desenvolve. Quero ler o outro livro em português dela, Torre do Terror.

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