Happy Death Day é um ótimo filme (apesar de tudo)


E isso não é um título click bait. Eu realmente pretendo apontar o por quê de Happy Death Day ser um ótimo filme.
Dirigido por Christopher Landon (Scouts Guide to the Zombie ApocalipseParanormal Activity: The Marked Ones) e escrito por Scott Lobdell (Man of the House), Happy Death Day, ou A Morte te dá Parabéns no título em português, acompanha a história de Tree Gelbman (interpretada por Jessica Rothe), que precisa reviver o dia de sua morte repetidas vezes até descobrir quem é seu assassino.


É um tema bastante comum, até, e muito simples. Pode (e eu imagino que tenha sido) visitado por várias pessoas. Mas, algumas particularidades tornam Happy Death Day um filme interessante, bem além de um comedy horror, e faz com que sua sequência seja um dos filmes mais aguardados de 2019 (não só por mim)

Tree é uma jovem horrível. Faz parte de uma grande fraternidade na universidade, está acostumada a ser mimada e a forma que suas amigas a tratam (e se tratam) é bastante passiva-agressiva; tem um relacionamento difícil com o pai, tem relacionamentos difíceis com os caras, tem relacionamentos difíceis com as amigas, tem um relacionamento com seu professor casado; está sempre cercada de pessoas que estão prontas para fazerem o que ela quer, da forma que quer, não liga muito pros sentimentos de ninguém e é bastante egoísta. Tree morre uma vez, acorda no quarto de um desconhecido, revive aquele dia achando que estava ficando louca, morre novamente, acorda no mesmo lugar, revive aquele dia, morre novamente, até se acostumar com isso, acordando sempre no mesmo local: o quarto de Carter Davis (interpretado por Israel Broussard).

Conforme acorda e é morta, Tree muda bastante: ela descobre sozinha que precisa encontrar seu assassino, e descobre sozinha que ser uma cretina com todo mundo não vai ajudá-la agora, nem nunca. Em uma das vezes até chega a contar com a ajuda de Carter, mas ele não pode ajuda-la muito, já que somente ela se lembra do que aconteceu. Melhora seus relacionamentos com seu pai, suas amigas, com aqueles ao seu redor, e principalmente com Carter, que de início é visto só como um nerd desajeitado, mas que depois se mostra um personagem muito bacana.
Disso podemos tirar que: Tree não precisou ser salva por ninguém, ela teve que aprender sozinha a ser uma pessoa melhor, enfrentar suas dificuldades, perceber que sua fraternidade era péssima, encontrar seu assassino, lidar com um dia infernal repetidas vezes.


Dessa leva de filmes de comedy horror/teen horror, que evoca o espírito slasher, com uma pegada mais adolescente (que é o caso de Happy Death Day, The Babysitter, mas que fez muito sucesso com as franquias de Premonição, A Casa de Cera, Tamara entre TANTOS outros que saíram em meados dos anos 2000 - que eu pretendo trabalhar em um texto futuro), não é inocente que Happy Death Day tenha uma mudança tão grande em Tree, como as coisas podem melhorar quando ela começa a se importar com os outros, como ela pode se tornar melhor com umas coisas simples.

Sempre toco na mesma tecla de que o terror é, assim como todo tipo de produção cultural, um fruto de seu próprio contexto, um espelho de seu momento. Mulheres independentes e fortes tem sido um ponto interessante de ser explorado no terror, principalmente no terror adolescente. Desde o remake Sorority Row, em 2009, passando por It Follows, de 2014, o teen horror tem feito um trabalho importante em destacar mulheres protagonistas (nem todos, que fique claro, porque o teen horror também faz um filmes péssimos). Happy Death Day, sem dúvida, é resultado de um processo que não é de hoje que vem acontecendo. Um processo lento, sim, mas que tem sido importante.

E é interessante como essa caminhada de Tree é mostrada. Ela não começa uma pessoa legal. Ela não é lá uma personagem muito independente e interessante, mas ela se torna uma ao correr do filme. Todos os percalços dos quais ela passa, o caminho terrível que ela tem que enfrentar, ela enfrenta sozinha e cresce.

Porém, nem tudo são flores, é claro: o final de Happy Death Day apresenta uma solução bastante fraca e bem pouco satisfatória para uma personagem tão boa que é a Tree. Intriga feminina não deveria ser motivo para assassinatos, e isso dá um pouco de preguiça quando é a trilhonésima vez que você assiste isso em um filme.
Mesmo com esse péssimo final, Tree ainda é uma ótima personagem, seu crescimento é visível, o filme é divertido e você nem vê o tempo passando conforme Tree persegue seus possíveis assassinos.

Este ano temos a sequência, Happy Death Day 2U, com estreia prevista para fevereiro

Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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