A franquia Anjos da Noite


A franquia Underworld (Anjos da Noite no Brasil) começou a ser lançada em 2003. Seu primeiro filme, que leva o nome somente de Underworld, conta a história de uma guerra muito antiga entre vampiros e lobisomens, e como a vampira Selene (Kate Beckinsale) acaba descobrindo uma série de tramóias e corrupções dentro de seu próprio clã.

A franquia sofreu uma série de perrengues ao longo dos anos, visto que foi acusada de plágio da grande rede de RPGs White Wolf, dos jogos Vampiro, a Máscara e Lobisomem Apocalipse. Porém, Underworld continuou a ser lançado até 2016, com o filme de pouco sucesso chamado Blood Wars (e não tenho certeza se pretendem ou não lançar novos filmes).

Apesar de ser uma franquia com uma série de problemas, é uma franquia interessante de ser observada. Pensando nisso, fiz a maratona dos 5 filmes, assistidos em sequência, e resolvi escrever esse texto com minhas impressões.

Underworld (2003)

Dirigido por Len Wiseman

No primeiro filme da série conhecemos um pouco da personagem principal Selene, que leva uma vida segura em seu clã, sendo uma das guerreiras mais poderosas dentro da equipe. Selene é uma serva leal, uma lutadora competente, com uma mira incrível mas uma certa ingenuidade sobre seus líderes. A personagem já viveu 6 séculos cuidando do clã, protegendo seus anciões, trabalhando para que todos os vampiros ficassem seguros contra os ataques dos lycans (os lobisomens). Mas Selene percebe que tem algo errado com Kraven (Shane Brolly), que está mancomunado com Lucian (Michael Sheen), um lycan; e acaba despertando Viktor (Bill Nighy), um dos vampiros mais velhos e grande líder do clã. É neste momento que Selene encontra Michael (Scott Speedman), um descendente de um dos primeiros vampiros, Corvinus (Derek Jacobi), do qual tanto lobisomens quanto vampiros estão atrás.

Selene entra em uma batalha para limpar as influências ruins de seu clã, já não ligando muito sobre quem ela teria que matar, com um senso de justiça muito próprio. O que pode ser dito sobre esse primeiro filme é que ele é, no mínimo, interessante. Selene, durante a franquia inteira, é uma personagem muito competente. Os filmes, por pior quesejam, só tem a barra segurada porque ela é uma personagem consistente. E, em plenos anos 2000, termos uma mulher protagonista que veste couro e é uma vampira e ela não ser completamente objetificada e sexualizada é uma vitória enorme.

Mas o filme tem sérios pontos incompetentes: a fé cega de Selene se transforma quando ela conhece Michael, tendo uma sede de justiça repentina. Mesmo que ela tenha descoberto que Viktor tenha matado seus pais, e não os lycans, é complicado assumir que a atitude dela tenha sido coerente.

Underworld: Evolution (2006)

Dirigido por Len Wiseman.

Selene matou Viktor e virou uma fugitiva junto com Michael, que agora é um híbrido. Sendo descendente de Corvinus, pai de um vampiro e de um lobisomem, Michael carregava a possibilidade de desenvolver ambos os vírus em seu corpo e não morrer no processo. O problema é que outro dos anciões despertou: Marcus (Tony Curran), filho de Corvinus, despertou por acidente quando um dos lobisomens foi morto em cima de seu sepulcro. E ele quer muito despertar seu irmão, William, um lobisomem muito poderoso e perigoso.

O relacionamento da Selene com o Michael continua não parecendo muito natural, um tanto quanto forçado, de repente. Corvinus também morrer de um jeito sem fazer muito sentido, mas segue tendo cenas ótimas da Selene.

Underworld: Rise of the Lycans (2009)

Dirigido por Patrick Tatopoulos.

Esse filme é um flashback sobre a vida da filha de Viktor, Sonja (Rhona Mitra), e Lucian. Descobrimos no primeiro filme que Viktor matou sua filha e aprisionou Lucian, pois ambos estavam apaixonado e ela se encontrava carregando o filho deles. O pano de fundo desse filme, sobre os vampiros utilizando os lobisomens como escravos, com correntes, para que trabalhassem para eles, criados como bestas, torna o filme mais interessante. Apesar do romance, que é o ponto central da narrativa, é bacana acompanhar como Lucian lidera os lobisomens para uma liberdade que até então eles desconheciam.

Era meu filme preferido da franquia, não posso negar. Quando eu tinha meus 15 ou 16 anos achava o máximo essa situação meio Romeu e Julieta de Sonja e Lucian, além de sempre ter amado o Michael Sheen como lobisomem (que é melhor do que ele como vampiro, desculpa Aros de Crepúsculo), mas hoje consigo perceber o problema nessa história. Afinal, quem acaba morrendo não é Lucian, que continua vivendo por mais um bocado de séculos, e sim Sonja.

Underworld: Awakening (2012)

Dirigido por Måns Mårlind.

Depois da queda dos anciões, os humanos descobrem que vampiros e lobisomens vivem entre eles e começam um expurgo. Ambos são caçados e mortos, conforme são encontrados. Selene acaba sendo capturada e utilizada como cobaia em um laboratório, acordando depois de 12 anos, sendo salva por um vampiro de outro clã, e descobre que teve uma filha com Michael nesse meio tempo, que também é híbrida.

Apesar de continuarmos com a guerra entre lobisomens e vampiros, o foco central desse filme é a proteção de Eve, filha de Selene, que tem sangue híbrido e pode servir para testes tanto para lobisomens, quanto para vampiros, quanto para humanos.

Selene continua com seu amor estranho por Michael, querendo saber onde ele está, mas é um filme interessante que podemos vê-la sozinha. Apesar de David (Theo James) ajudar Selene, agora ela se encontra sozinha protegendo sua filha. A conexão das duas é muito interessante, Selene consegue ver através da visão de Eve, e ambas são muito poderosas.

Underworld: Blood Wars (2016)

Dirigido por Anna Foerster.

Selene enviou Eve para longe dela, para que ela não pudesse ser capturada por ninguém, e continua fugindo dos humanos e de lobisomens e vampiros que querem sua morte.
Apesar de tudo, Selene espera conseguir acabar com a guerra entre os vampiros e lobisomens. David acaba se juntando a ela ao descobrir que uma das vampiras do clã amigo onde estão escondidos está sendo amante de um lobisomem líder inimigo.

Foi considerado um grande fiasco na franquia, e apesar de ser meio sem pé nem cabeça (todas as teorias de conspiração, as teorias de morte e retorno, os super poderes vampíricos adquiridos com esse ressuscitamento) eu considero um filme divertido e interessante. Nós temos uma mulher protagonista, uma mulher vilã, um grupo de vampiras mulheres (meio viking hippies mas tudo bem) e uma mulher na direção.

Apesar de todos os defeitos, do filtro verde azulado ridículo, dessa cópia meio absurda dos RPGs da White Wolf, de toda a ação meio que desnecessária nesses filmes (tem filme que tem sequências de tiroteio desnecessariamente longas e que a gente acha que o Vin Diesel vai aparecer em uma pontinha a qualquer momento), não podemos ignorar a importância de ter uma mulher como protagonista de uma história de vampiros, que não serve só pro sexo e que não serve só pra enfeite, que não seduz homens para que eles morram, e que tem seu próprio senso de certo e errado.

Selene é uma protagonista importante e muitas mulheres de hoje que assistiram os filmes quando mais novas se sentem felizes com as lembranças. Como eu reforcei diversas vezes durante o texto, porém, o problema da Selene é esse relacionamento forçado com o Michael. Torço, entretanto, para que realmente exista um sexto filme de Selene solo, sem a necessidade de outro homem em sua vida (o que o Blood Wars quase fez, mas ficou no meio do caminho). A representatividade do filme também não é das melhores, faltam mulheres, faltam negros, e falta um bom roteirista.


Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler tomando um café quentinho.

2 comentários:

  1. Eu gosto MUITO daquele primeiro filme, mas MELDELS, por que eles continuaram?? Ficou péssimo demais.

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  2. Por algum motivo, nunca vi nenhum filme dessa série. Mas tenho curiosidade. Valeu pelo post! ;)

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