ENTREVISTA: Bárbara Herdy

Imagem retirada do twitter da autora com capas de seus trabalhos.


A entrevistada dessa semana é Bárbara Herdy. Bárbara é autora, tem o canal Hey, Mates no IGTV e colunista no site Segredo das Amigas. Entre os trabalhos de Bárbara, os contos Efeito Borboleta, A Canção de Amana, a coletânea Através da Escuridão, possuem como tema o sobrenatural.
Para conferir mais do trabalho da Bárbara, o site dela: Ms. Barbara Herdy
A autora também tem trabalhos nos sites WattpadNyah e Sweek




A intenção dessas entrevistas é conhecer os trabalhos de mulheres que estão produzindo terror no Brasil, seja através de livros, blogs, quadrinhos ou ilustrações. Para conferir as entrevistas anteriores: Germana Viana / Larissa Prado


Fright Like a Girl (FLAG): Pra começar, quais suas principais inspirações dentro do gênero do terror? Diretores, filmes…? E na escrita?
Bárbara Herdy (BH): Como boa Millennial, eu sou apaixonada pelos filmes de terror dos Anos 80/90. Eu amo o Gore de filmes como A Mosca, Alien e o Dia dos Mortos Vivos que brincam com a ideia do homem ser um Deus e/ou o homem ter que se readaptar em um mundo onde ele é a presa e não o predador. Sem sombra de duvidas Wes Craven e Guillermo Del Toro são uma inspiração para mim. Eu amo o terror do Wes que, tem uma vibe humanizada com criaturas intocáveis e o Guillermo não faz terror, ele faz obra de artes e ele também tem um pé no gótico que é algo que sinto muita falta nesse nosso momento cinematográfico. Quanto a escrita, eu quero uma foto da Mary Shelley no meu escritório, eu preciso ler mais coisas do Bram Stoker e Stephen King (óbvio!), um dia eu quero te dar um abraço.

FLAG: Quais os aspectos no terror que você mais gosta? Aquele elemento que te desperta e faz você pensar “caramba, isso aqui é muito bacana, gostaria de fazer algo desse tipo”
BH: O que Wes Craven fez com a Hora do Pesadelo é algo que eu aprecio demais. Eu gosto de tirar uma pessoa do seu cotidiano considerado “normal” e apresentá-lo a algo que o leva a questionar a sua sanidade (como rola no filme Stigmata). Eu estou trabalhando com essa ideia no meu novo livro e eu confesso: eu estou me inspirando muito em Frankenstein e a ideia de humano x monstro. O que torna algo um monstro e o que separa o humano de ser esse monstro.
Sem sombra de duvidas outro aspecto que quero muito trabalhar é com o humor no terror, como em Pânico, Todo Mundo Quase Morto e mais recentemente rolou em A Morte te dá Parabéns. Até porque o terror em que vivemos no nosso mundo tem um Q de cômico, certo?

FLAG: Tem algum tipo de segmento, subcategoria ou elemento que você fuja nessas obras? Que você não goste de assistir de jeito nenhum?
BH: Qualquer coisa relacionada com possessão, exorcismo e/ou espíritos. 99% dos filmes tratam esses temas das piores formas possíveis, apenas para chocar e assustar, beirando ao desrespeito quando não explicam tais temas da forma devida — sem contar que também é perigoso falar sobre exorcismo sem o embasamento. O último filme que assisti com essa temática foi Invocação do Mal, e por mais que o filme tenha uma pesquisa impecável, eu passei terrivelmente mal ao longo do filme todinho e no final, parei. Algumas coisas não deviam ser contadas se não for para ser da forma correta. 

FLAG: Uma coisa que gosto muito dos seus trabalhos são o teor adolescente que seu terror mostra. São histórias que lembram bastante os filmes de terror dos anos 1990, tipo Pânico e Eu sei o que vocês fizeram no verão passado. Como é sua relação com esse período do terror? E seu público alvo, acaba sendo mais o pessoal mais adolescente mesmo ou acontece bastante aquela coisa da nostalgia também?
BH: Eu sou apaixonada por esse segmento do terror dos anos 1990, eu cresci assistindo esses filmes (como as pérolas Gremlins, Tomates Assassinos e muitos zumbis dos anos 1980). Rola uma nostalgia por esse ser o meu recorte de terror favorito. Nos anos 80 nós tínhamos um terror onde os jovens precisavam aceitar a existência de uma criatura sobrenatural como seu predador e precisava eliminá-lo, o que se mostra uma missão impossível (TOMATES ASSASSINOS!). Agora, os anos 90/2000 bebe dessa fonte, mas troca o monstro pelo ser humano (Pânico, Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, A Casa de Cera, A morte pede carona) o que para mim consegue ser mais assustador do que qualquer monstro de máscara. Eu não planejava escrever para o público adolescente, mas quando Efeito Borboleta surgiu em minha mente, eu só conseguia imaginar que as únicas pessoas capazes de exterminar um monstro invencível eram os jovens, além do mais, eles são o futuro.

FLAG: Sobre o meio do terror e as mulheres, você já se sentiu hostilizada, em algum momento, seja como fã ou como mulher que trabalha com isso?
BH: Como escritora não rolou isso, por eu ainda estar procurando meu lugar no sol entre tantas escritoras brasileiras incríveis, mas como fã rola muito um olhar de dúvida quando eu falo que entendo de vampiro, que gosto de estudar sobre serial killers ou a construção do monstro com base nas atitudes dos seres humanos. É como se eu só pudesse ter medo e não causar o medo. Isso piora quando eu digo que troco qualquer filme de possessão por um bom terror psicológico como A Bruxa ou um dos Massacre das Serra Elétrica, porque eu adoro adolescentes tentando se proteger em casebres velhos.

FLAG: Se fosse pra você dar uma dica para mulheres que estão trabalhando com terror, seja escrevendo ou desenhando ou buscando inspiração para dirigir filmes e etc, qual seria?
BH: A vida. Soturno, eu sei, mas para mim não tem nada mais assustador do que a vida que nós vivemos agora e o que será de nós no futuro. O que a ansiedade pode causar a nossa mente, o monstro da depressão sobre os nossos ombros nos guiando para caminhos obscuros, políticos com expressões humanas, mas almas diabólicas, o consumismo exacerbado e a incerteza se amanhã acordaremos e não nos depararemos com um mundo diatópico, porque a utopia está bem longe de rolar.
Obrigada por essa entrevista incrível ♥

Eu que te agradeço, Bárbara ♥

Para conhecer os trabalhos da Bárbara:
Lembrando que: caso você não tenha um leitor kindle, pode baixar os apps para tablet e celular diretamente da Amazon, clicando AQUI.

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Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler tomando um café quentinho.

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