A Assombração da Casa da Colina, Shirley Jackson


Assombração da Casa da Colina é um livro escrito por Shirley Jackson em 1958, publicado aqui no Brasil pela Suma em 2018, com tradução de Débora Landsberg.
Depois de ler Sempre Vivemos no Castelo, fiquei bastante curiosa para conferir A Assombração da Casa da Colina. E, mesmo sabendo um pouquinho da história, pois havia visto um dos filmes inspirados no livro (The Haunting, 1963), ele não decepciona. A narrativa de Jackson é interessante e te cativa desde o começo, fazendo com que você queira saber mais sobre as personagens que resolveram, por livre e espontânea vontade, se meter com uma casa mal assombrada.



A resenha contem spoilers.

A Assombração da Casa da Colina narra a história de três pessoas, que, após receberem o convite de Dr. Montague, vão até a casa da colina para participarem de uma atividade sobrenatural, procurando desvendar o que existe naquela casa. Dr. Montague é um estudioso do paranormal, mesmo que não o chame por esse nome. Eleanor, uma jovem mulher que passou a vida cuidando da mãe e agora se vê morando num quartinho da casa da irmã; Theo, uma jovem independente que prefere não falar muito sobre si mesma, mas que sabemos dividir o apartamento com uma outra moça e trabalha em uma lojinha; e Luke, herdeiro da casa, um jovem que tem uma moral um pouco duvidosa, compõem o grupo que fará anotações enquanto estiverem na casa. Theo e Eleanor foram escolhidas por terem algum tipo de dom paranormal, Luke por ser herdeiro.

Para começar a falar sobre a casa da colina, é necessário dizer que a casa, em si, é uma entidade. Ela é poderosa, ela é maligna e cruel, e isso fica bastante claro desde o começo. Não temos medo das pessoas na casa, por mais que o casal de caseiros que cuidam dela sejam assustadores. Temos medo da casa e do que ela pode fazer.

"Não há dúvidas de que existem lugares que inevitavelmente atribuem a si mesmos uma atmosfera de santidade e bondade; então talvez não seja uma grande extravagância dizer que algumas casas nascem ruins. A Casa da Colina, sabe-se lá por qual motivo, é inadequada à habitação humana faz mais de vinte anos. (P. 68-69)

A casa já tinha uma história de maldades e azar com seus moradores. Hugh Crain, o primeiro proprietário e aquele que construiu o lugar, foi um senhor com bastante sofrimento em sua vida. Sua primeira esposa, para quem ele construiu a casa, morreu antes mesmo de pisar nela. Desde então a casa da colina colecionou mortes e tristezas. Dr. Montague dá alguns adjetivos para a casa. Ele considera que ela possa ser transtornada, leprosa, doentia. Conforme o livro avança, descobrimos que o próprio Hugh Crain não era um senhor muito são. A casa foi construída para ser desequilibrada: tudo é um pouquinho fora dos eixos, desde as portas até as escadas.

A história é bastante centrada na personagem de Eleanor. Eleanor é uma mulher bastante simples e comum, que passou a vida cuidando de sua mãe doente, até que um dia a mãe faleceu durante a noite. Teve alguns episódios paranormais quando mais jovem, e passou a vida acreditando não ter sido culpa dela. E, nesse ponto, podemos abrir um parentese para dizer que Jackson faz muito bem o trabalho de não dizer se ela foi ou não que fez os acontecimentos ocorrerem.

Mesmo com medo extremo quando chega, pois é a primeira a chegar, Eleanor decide permanecer na casa. Algo faz com que Eleanor queira permanecer, e ali ela pode ser uma pessoa completamente nova, sem ter que contar sobre sua vida para ninguém. Ou, até mesmo, ser quem ela sempre foi e nunca pode. Acostumada a ficar sozinha, com uma série de pensamentos confusos, Eleanor é uma personagem difícil de se construir uma opinião sobre. Sentimos piedade de sua vida, mas ficamos conflitantes quando lemos seus pensamentos a cerca dos outros personagens na casa.

Porém, não podemos julgar Eleanor. Além da vida difícil, é um fato que a casa da colina traz o pior nas pessoas. A atmosfera sombria, opressora, assustadora, faz com que todos os monstros dentro de sua cabeça ganhem vida e até queiram bater um papo contigo de igual pra igual. E, é até fácil compreender as escolhas de Eleanor ao passar do livro.

Foi uma leitura bastante agradável. Sem dúvida recomendo bastante o livro, tanto quanto Sempre Vivemos no Castelo. A narrativa de Shirley Jackson é incrível e é muito interessante acompanhar os picos de assombro na casa.

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Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler tomando um café quentinho.

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