Meg Penny, a heroína subaproveitada de The Blob (1988)


Meg Penny, a heroína subaproveitada de The Blob

The Blob, título traduzido como A Bolha Assassina, está completando 30 aninhos este ano. Nada melhor, então, que começarmos o ano pensando na figura feminina de destaque do filme, Meg Penny, interpretada por Shawnee Smith. The Blob foi dirigido por Chuck Russell, diretor também de A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors (1987), The Mask (1994) e The Scorpion King (2002). Se você não assistiu ao filme e deseja assistir sem maiores revelações, é melhor voltar depois, pois há spoilers adiante.



Assim que o filme começa somos apresentados a Meg Penny, que aparece como líder de torcida na primeira cena do filme, e somos apresentados também a Paul Taylor (Donovan Leitch Jr.) jogador do time de futebol americano da escola/cidade. Em seguida somos apresentados ao personagem Brian Flagg (Kevin Dillon), o bad boy da cidadezinha. O filme vai girar em torno desses três personagens, apesar da morte prematura de Paul, podemos considerar que ele tem um papel importante.

Paul busca Meg para sair, e podemos conhecer um pouco melhor de onde a personagem vem. O que sabemos sobre a personagem de Meg é que ela tem dois pais preocupados, um irmão mais novo e sua relação com sua família é boa e tranquila. Parece ser uma moça comum que acabou sendo jogada no meio dos acontecimentos trágicos certo dia. Porém, não se deixem enganar.

Enquanto isso, um senhor percebe algo estranho caindo do céu, e decide dar uma olhada no que era. É então que conhecemos a bolha, a criatura maligna do filme, que já se apossa da mão do velhinho rapidamente. Neste momento Flagg encontra este senhor, e percebe que tem algo errado. Ao sair correndo, o senhor é atropelado por Paul, que decide leva-lo ao hospital, junto com Flagg e Meg.

No hospital, Flagg é um cara cuidadoso com o senhor, o que deixa Meg curiosa, já que Flagg é o cara mais mal visto da cidade. Meg acaba fazendo companhia para Paul no hospital. Quando ele resolve dar uma olhada no senhor, percebe algo errado: a bolha o havia destruído da cintura para baixo. Todos desesperados, tentando entender o que aconteceu, Paul vai até o escritório para ligar para a polícia, quando percebe que a bolha está logo acima de sua cabeça. O mocinho do filme também é pego, e Meg acaba presenciando a cena. Todos consideram que tudo de errado que aconteceu até então é culpa de Flagg, porque sim, já que tudo de errado que acontece na cidade é culpa dessa alma atormentada.

Ninguém consegue acreditar na palavra de Meg Penny, muito menos sua família, que acaba a considerando louca, recebendo até o que parece ser um calmante de sua mãe — que ela resolve não tomar. Decide, então, buscar ajuda de Flagg, que também viu que tinha algo de errado na mão do velhinho encontrado por ele. Novamente, e sem surpresa nenhuma, Meg Penny é desacreditada. Flagg comenta achar que ela está se drogando, quando finalmente vemos do que Meg Penny é feita: tem alguma coisa dentro dela que não gosta de ser tratada como maluca. Meg Penny bate na mesa e joga na cara de Flagg que ele não passa de um cara normal que gosta de fingir que é diferente do resto da cidade, mas no final é, com perdão da palavra, um bosta. E foi nesse momento do filme que eu percebi que tinha que pensar no personagem de Meg Penny.

Então, Flagg e Meg saem para descobrir o que diabos está acontecendo nessa cidade, essa bolha estranha, todas essas mortes, e são surpreendidos por um grupo de cientistas que estão deixando a cidade em quarentena. Meg e Flagg são conduzidos a um caminhão. Flagg, que não tem muito senso de nada, decide abrir a porta do caminhão e não ficar mais um minuto ali. Tenta convencer Meg de que aquilo não vai acabar bem, mas Meg afirma que não é egoísta como ele, e precisa ajudar sua família. Go, Girl!

Meg descobre que seu irmão não foi dormir na casa do amigo, mas sim que ambos foram ao cinema escondidos. Ela decide então ir atrás do irmão — SOZINHA — com uma cidade sendo posta em quarentena por conta de uma bolha assassina que anda atormentando todo mundo.

Finalmente, ela resgata seu irmão. Flagg deu uma ajudinha, e acabou descobrindo que a bolha na verdade não é um meteoro ou algo vindo do espaço; na verdade, a bolha é um germe bélico, criado por humanos e testado nessa cidadezinha. Quando tudo parecia estar indo ladeira abaixo, Meg Penny descobre que o frio é capaz de destruir a bolha. Ela sobe em um container de nitrogênio líquido e decide explodir tudo, salvando a cidade.

Gosto de The Blob porque é um filme simples. Tanto Paul quanto Flagg não são personagens abusivos. Apesar de Flagg desacreditar Meg até que ela fale grosso com ele, ele não é um personagem ruim (como os personagens masculinos em The Fly, por exemplo).

O que me incomoda em The Blob é a narrativa adotada por eles. Flagg é um bom personagem, mas Meg Penny não precisa dele, e se torna uma personagem subaproveitada. Quando você revê o filme observando a personagem sozinha, percebe que as cenas em que ela é salva por Flagg são forçadas, não tem necessidade, ela estava indo muito bem. No momento em que Meg vai salvar seu irmão, que Flagg aparece para seu resgate, ela tinha as coisas sob controle. Quando decide destruir o container e congelar a bolha, Meg prende o pé em um cabo e escorrega, algo sem necessidade alguma, somente para ser salva por Flagg.

O que pergunto, em relação a personagem de Meg Penny em The Blob, é qual a necessidade de criarmos uma personagem forte se vamos colocá-la sempre em situação de perigo. Todas as atitudes de Meg são pensadas, ela sabe exatamente o que está fazendo, mas mesmo assim precisa ser salva por Brian Flagg.

O exercício é: quando for assistir The Blob, perceba as cenas em que Meg é salva, e reflita se existe a necessidade de Brian Flagg aparecer. Se ela simplesmente tivesse conseguido sair do esgoto, ou se ela conseguisse sozinha explodir o caminhão, qual a diferença que isso traria ao filme. A diferença é de que Meg Penny seria uma personagem muito além do suporte. Ela poderia sim, fazer as coisas sozinha, sem depender de alguém que ficasse a salvando o tempo todo.

Jéssica Reinaldo

Jéssica Reinaldo

Formada em História, escreve e pesquisa sobre terror. Tem um afeto especial por filmes dos anos 1980, vampiros do século XIX e ler acompanhada de um café quentinho. Siga nas redes: Twitter | Facebook | Instagram

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